Vacinar Portugal

Covid-19. "Vacinas devem ser dirigidas para quem está em risco de morrer"

Entrevista SIC Notícias

Jorge Amil Dias sublinha que a aprovação das vacinas pela EMA não constitui uma recomendação.

Enquanto se espera pelo parecer da Direção-Geral da Saúde sobre a vacinação dos jovens entre os 12 e os 16 anos, a discussão mantém-se. Há quem concorde, quem discorde e quem queira mais evidência.

Não é o caso das autoridades de saúde da Madeira, que decidiram antecipar-se ao continente e vão começar a vacinação desta faixa etária já este fim de semana. Para Jorge Amil Dias, presidente do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos, as vacinas devem “ser dirigidas para quem está em risco de morrer”.

“Se tivéssemos vacinas a mais, seria compreensível que vacinássemos toda a gente. Num cenário em que as vacinas ainda não são suficientes para cobrir toda a população que está em risco de morrer – estou a falar de adultos, incluindo adultos jovens ou adolescentes a cima dos 16 anos – então fará sentido utilizar todas as doses possíveis para esses adultos”, afirma o médico pediatra.

Além dessa justificação, Jorge Amil Dias sublinha que a aprovação da administração de vacinas em jovens entre os 12 e os 16 pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) não é uma recomendação. As recomendações são realizadas pelas autoridades de saúde de cada país.

Sobre o anúncio do Governo madeirense, o especialista considera que “não é muito fácil explicar que, perante os mesmos dados, a mesma bibliografia, os mesmos conhecimento científicos, se tomem duas decisões diferentes ou pelo menos em momentos diferentes”.

Hipótese de pico de novos casos entre os jovens

Na reunião no Infarmed, o especialista Henrique Barros alertou que a não vacinação dos jovens poderia resultar num pico de novos casos durante o inverno. Para Jorge Amil Dias, trata-se de uma “especulação”.

“Isto é especulação porque não temos nada. E, como sabemos, todos os epidemiologistas, há alguns meses, fizeram previsões que depois não se confirmaram. É uma hipótese da qual não temos dados nenhuns para aferir da garantia”, afirma.

O pediatra lembra ainda que as vacinas atualmente aprovadas e a ser administradas continua em constante avaliação sobre o efeito de proteção perante as infeções pelas diferentes variantes.

“Se nós não temos a certeza da eficácia na prevenção da infeção pelas variantes que já conhecemos, como é que podemos atrever-nos a inferir e a dizer se a vacina vai proteger contra variantes que nem sequer conhecemos?”, questiona o especialista

Veja mais: