A vacinação em Portugal e no Mundo

AstraZeneca. EMA confirma "possível ligação" entre vacina e coágulos em "casos muito raros"

Amanda Perobelli

Agência Europeia do Medicamento garante que os "benefícios continuam a superar os riscos".

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) confirmou esta quarta-feira a existência de uma "possível ligação", em casos "muito raros", entre a vacina da AstraZeneca e a formação de coágulos sanguíneos, mas reiterou que "os benefícios continuam a superar os riscos".

"A EMA encontrou uma possível relação [entre a vacina da AstraZeneca] e casos muito raros de coágulos de sangue incomuns com plaquetas sanguíneas baixas", mas "confirma que o risco-benefício global permanece positivo", informou o regulador.

Em concreto, o comité de segurança da EMA "concluiu hoje que coágulos de sangue invulgares com plaquetas sanguíneas baixas devem ser listados como efeitos secundários muito raros da Vaxzevria", nova denominação da vacina da AstraZeneca, tendo em conta "todas as provas atualmente disponíveis", acrescenta o regulador, numa alusão à investigação realizada nas últimas semanas.

Notando que "a covid-19 está associada a um risco de hospitalização e morte", a agência europeia adianta que "a combinação notificada de coágulos e plaquetas sanguíneas baixas é muito rara", pelo que "os benefícios globais da vacina" da AstraZeneca "superam os riscos de efeitos secundários".

Segundo a EMA, foram registados 62 casos de trombose do seio venoso cerebral e 24 casos de trombose venosa esplâncnica até 22 de março, bem como 18 mortes, num universo de cerca de 25 milhões de vacinados na UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido.

Falando em conferência de imprensa a partir da sede da EMA, em Amesterdão, a diretora executiva da agência vincou que a covid-19 "é uma doença muito grave" e comparou que "o risco de mortalidade" devido à pandemia "é muito superior" ao da vacina.

Emer Cooke sublinhou que foram registados "efeitos secundários muito raros" após a administração da Vaxzevria, sendo esta uma "vacina altamente eficaz, que previne doenças graves e hospitalização e está a salvar vidas".

"A vacinação é extremamente importante para nos ajudar na luta contra a covid-19 e precisamos de utilizar as vacinas que temos para nos proteger dos seus efeitos devastadores", insistiu a responsável.

Nesta investigação, a EMA concluiu que estes casos muito raros de coágulos de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de idade no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não tenha chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.

"Uma explicação plausível para a combinação de coágulos de sangue e plaquetas sanguíneas baixas é uma resposta imunológica", justifica o regulador europeu na nota à imprensa, apontando também que têm sido vacinadas mais mulheres do que homens na Europa.

A EMA aconselha que quem foi vacinado procure "assistência médica imediatamente se desenvolver sintomas desta combinação de coágulos e plaquetas sanguíneas baixas".

Regulador da UE compara risco de coágulos com vacina da AstraZeneca ao da pílula

"Um exemplo em que gostaria de atentar é [a relação entre] o uso do contracetivo oral combinado hormonal e os coágulos sanguíneos que ocorrem após a toma desses contracetivos, que são dados às mulheres que normalmente são saudáveis", afirmou o Chefe do Departamento de Farmacovigilância e Epidemiologia da EMA, Peter Arlett.

Falando na mesma conferência de imprensa, Peter Arlett afirmou que, "se foram dados contracetivos hormonais combinados durante um ano a 10.000 mulheres, haverá uma formação de coágulos sanguíneos em excesso nesse ano".

"Isto dá uma referência de outro medicamento dado a uma população saudável que também causa um efeito secundário, que ocorre, raramente, mas que precisamos de ter em consideração", explicou o especialista da EMA.

Massimo Pinca

REGULADOR BRITÂNICO RECOMENDA SUSPENSÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA VACINA DA ASTRAZENECA A MENORES DE 30 ANOS

O regulador britânico do medicamento anunciou também hoje que vai recomendar que a vacina da AstraZeneca deixe de ser administrada a pessoas com menos de 30 anos.

A recomendação deve-se ao facto de terem sido reportados alguns casos de coágulos sanguíneos no cérebro.

Embora sejam raros, o comité britânico afirma que, "com base em provas e na informação disponível, é aconselhado que seja oferecida uma alternativa à vacina da AstraZeneca a jovens e adultos com menos de 30 anos".

DÚVIDAS SOBRE OS EFEITOS SECUNDÁRIOS

A vacina AstraZeneca / Oxford tem suscitado algumas dúvidas e receios sobre possíveis efeitos secundários graves, mas raros, após a observação de coágulos sanguíneos em pessoas inoculadas com esta vacina.

Já foram identificados dezenas de casos, alguns dos quais resultaram em mortes. No Reino Unido, houve 30 casos e 7 mortes de um total de 18,1 milhões de doses administradas até 24 de março.

Dado Ruvic

A 18 de fevereiro a EMA garantiu que a vacina da Oxford/AstraZeneca pode ser administrada a maiores de 65 anos

A 31 de março, a Agência Europeia de Medicamentos informou que já tinham sido administradas na União Europeia mais de 9,2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, acrescentando que “não está provado nexo causal com a vacina, mas é possível”, sublinhando que os benefícios da vacinação contra o novo coronavírus ainda superam os riscos.

Por precaução, vários países suspenderam a administração da vacina abaixo de certa idade, como França, Alemanha, Países Baixos, Canadá. A Noruega e a Dinamarca suspenderam totalmente seu uso por enquanto.

Portugal chegou a suspender mas já retomou a inoculação. A Direção-Geral da Saúde autorizou a inoculação das pessoas nesta faixa etária a 10 de março de 2021.