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Nissan acusa ex-CEO Carlos Ghosn de gastar mais de 28 milhões de euros em festas e bens pessoais

Itsuo Inouye

Uma festa no Palácio de Versalhes, casas no Brasil e no Líbano e viagens de jato privado entre as despesas do ex-presidente do grupo, Carlos Ghosn, que fugiu do Japão para não enfrentar a justiça nipónica.

Pascal Rossignol

20 milhões só entre compras e renovações de casas no Rio de Janeiro e Beirute

O relatório apresentado pelo grupo Nissan-Renault ao regulador da bolsa nipónica acusa o ex-presidente Carlos Ghosn de cometer infrações financeiras no Japão na sequência da própria empresa ter revelado irregularidades relacionadas com a declaração dos emolumentos, e segundo a Nissan, também empregou dinheiro da empresa para pagar uma série de atos de caráter particular.

A empresa constatou estes gastos depois de conduzir uma investigação interna sobre "potenciais violações da política da empresa e da lei, e a utilização inapropriada de fundos empresariais para benefício próprio", segundo consta no documento enviado ao regulador da bolsa de Tóquio.

Entre a utilização inapropriada de fundos estão 22 milhões de dólares (19,7 milhões de euros) para comprar e renovar casas para uso próprio no Rio de Janeiro e Beirute e pagamentos de 750.000 dólares (672.000 euros) em 'cash' de consultadoria a uma irmã de Ghosn "sem que a empresa tivesse recebido nada em troca".

Também se mencionam os 4,4 milhões de dólares (3,9 milhões de euros) que custou à Nissan a utilização de um 'jet' da empresa para viagens pessoais de Ghosn e da sua família, e pelo menos 3,9 milhões de euros desembolsados para "gastos aparentemente pessoais" do ex responsável da RNBV, uma subsidiária da Nissan e Renault.

Nestes gastos incluem-se uma festa no Palácio de Versalhes, "o convite e entretenimento de convidados" no Carnaval do Rio de Janeiro e no Festival de Cannes, além de jantares e presentes de luxo ou os serviços de um escritório de advogados no Líbano, um país onde a Nissan não opera, segundo o relatório da empresa.

Alguns destes gastos tinham sido referidos pelos meios nipónicos ainda que não façam parte do conjunto de acusações formais contra Ghosn, que se inclui um suposto delito de abuso de confiança de Nissan por ter utilizado fundos da empresa para cobrir perdas financeiras pessoais e realizar outros pagamentos injustificados.

A empresa enviou este relatório ao regulador da bolsa como parte dos compromissos alcançados com as autoridades para a melhoria da gestão e da estrutura empresarial na sequência do caso Ghosn.

Ghosn foi afastado dos cargos à frente da Renault e da Nissan depois de ser detido em Tóquio, em 19 de novembro de 2018, por alegadas irregularidades financeiras.

Em finais de dezembro último violou as condições de liberdade sob fiança e fugiu do Japão.