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Perguntas e respostas sobre as eleições intercalares nos EUA

Quem são os candidatos, quais são as regras e as datas das “midterms” norte-americanas.

Os eleitores norte-americanos escolhem hoje, 8 de novembro, os parlamentares que se vão sentar no Congresso em Washington bem como em quase todas as assembleias locais. Escolhem também os governadores de 36 dos 50 estados e de mais três territórios.

As eleições intercalares nos Estados Unidos ("midterms") acontecem a cada quatro anos - dois anos depois das eleições Presidenciais (as últimas foram em 2020) - e acabam por ser um referendo sobre o ocupante da Casa Branca. Em mais de 160 anos, o partido do Presidente raramente escapou ao voto sancionatório.

O que são as eleições intercalares e quem é eleito?

Conhecidas pela expressão “midterms” (“a meio do mandato”), acontecem dois anos após a eleição presidencial, a meio do mandato de quatro anos.

Geralmente, nestas eleições, escolhe-se cerca de um terço dos 100 lugares do Senado (este ano, serão 35 lugares) e a totalidade dos 435 lugares na Câmara de Representantes, as duas câmaras do Congresso.

Os senadores são escolhidos para um mandato de seis anos.

Cada estado tem direito a dois senadores (independentemente do seu tamanho ou população), mas para a câmara de representantes os lugares são distribuídos em função da dimensão de cada estado.

As eleições também servem para, em vários estados e cidades, escolher governadores, conselhos municipais e até conselhos diretivos de escolas públicas.

Este ano, vão ser escolhidos 39 governadores (36 de estados e três de territórios).

As eleições deste ano incluem ainda 129 boletins de voto (em 36 estados) com questões de referendo a matérias relacionadas com o direito ao aborto.

Quando acontecem as eleições intercalares?

As eleições devem acontecer na primeira terça-feira de novembro, a não ser que essa terça-feira calhe no primeiro dia do mês.

Este ano, as eleições ocorrem em 08 de novembro.

O processo eleitoral começa geralmente em setembro, com o voto antecipado e por correspondência.


O nome do Presidente está em algum boletim de voto?

Não. Estas eleições não elegem o Presidente, embora sejam geralmente consideradas um “referendo” à sua governação nos dois primeiros anos do mandato.

Quem define os círculos eleitorais?

Os círculos eleitorais são definidos pelos governos estaduais, que frequentes vezes aproveitam para alterar as fronteiras, para tentar favorecer os resultados do partido que os domina.

O que dizem as sondagens?

De acordo com as últimas sondagens, a oposição republicana tem boas hipóteses de conquistar pelo menos 10 a 25 assentos na Câmara dos Representantes - mais do que suficiente para alcançar a maioria.

Quanto ao Senado, há mais dúvidas, mas os republicanos parecem ter a vantagem também.

Um duplo referendo sobre dois eventuais candidatos

Embora o nome de Joe Biden não apareça nos boletins, muitos americanos veem esta eleição como um referendo sobre o Presidente.

Mas este escrutínio também é um teste para o futuro político de Donald Trump, que está empenhado nas campanhas, multiplicando comícios por todo o país.

Para estes dois homens, que se perfilam como candidatos à eleições de 2024, o resultado das “midterms” pode ser um prenúncio de uma repetição das presidenciais de 2020.

As questões mais importantes em jogo

O impacto destas eleições será decisivo em todo o país.

Joe Biden pede aos americanos que lhe confiem maiorias suficientes para contornar as regras parlamentares que atualmente o impedem de legalizar o aborto em todo o país ou de proibir as armas.

Esta eleição é "uma escolha", diz Biden em quase todos os seus discursos. Do resultado da votação dependerá o futuro do aborto, das armas, do sistema de saúde, insiste o Presidente.

Por sua vez, os republicanos prometem liderar uma luta feroz contra a inflação, a imigração, o crime e continuar a ofensiva contra os desportistas transgénero.

Alguns também querem cortar a ajuda de Washington à Ucrânia.

Os candidatos republicanos também prometeram abrir uma série de investigações parlamentares sobre Joe Biden, sobre o seu conselheiro para a pandemia Anthony Fauci e sobre o ministro da Justiça Merrick Garland.

Prometem também pôr um fim ao trabalho do comité da Câmara que investiga a invasão do Capitólio realizado por apoiantes de Donald Trump.

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