Opinião

Marcelo afasta novo confinamento. "Era prudente que o Presidente fosse um bocadinho mais cauteloso"

Análise da editora de política da SIC às declarações do Presidente da República sobre o desconfinamento e do primeiro-ministro sobre as informações divulgadas pela Câmara de Lisboa à Rússia.

Marcelo recusa recuo no desconfinamento

Cristina Figueiredo, editora de política da SIC, diz que se compreende a mensagem de otimismo do Presidente da República, ao afastar um retrocesso no desconfinamento. No entanto, considera que foi um "excessivo otimismo".

"Era prudente que o Presidente fosse um bocadinho mais cauteloso", afirma, lembrando que há algum desconhecimento em relação às variantes.

A editora de política da SIC explica que Marcelo Rebelo de Sousa quis dizer que "não podemos mesmo" voltar atrás no desconfinamento e temos todos de estar conscientes disso.

No entanto, Cristina Figueiredo afirma:

"Receio que tanto otimismo possa ter o efeito contrário".

O Presidente da República afastou esta segunda-feira a hipótese de retrocesso no desconfinamento e garantiu que, por ele, não haverá volta atrás. Marcelo disse que é preciso confiar na vacinação, mesmo que os números tenham aumentado.

Informações divulgadas pela Câmara de Lisboa à Rússia

Sobre a polémica em torno das informações divulgadas pela Câmara de Lisboa à Rússia, Cristina Figueiredo diz que há uma inegável violação de proteção de dados.

A editora de política da SIC refere ainda que gostava de ter ouvido o primeiro-ministro, António Costa, dizer, esta segunda-feira quando falou do assunto, que não devia ter acontecido e que não vai voltar a acontecer.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados abriu um processo ao envio de dados pessoais de ativistas russos pela Câmara Municipal de Lisboa para a embaixada russa.

Poderá estar em causa uma ausência de fundamento para o tratamento que a Câmara de Lisboa deu aos dados pessoais dos manifestantes e ainda um desvio de finalidade, ou seja, um uso das informações diferente do objetivo com que tinham sido recolhidos inicialmente.

O processo de averiguações tem por base o facto de a Câmara de Lisboa ter feito chegar às autoridades russas os nomes, moradas e contactos de três manifestantes russos que, em janeiro, participaram num protesto, em frente à embaixada russa em Lisboa, pela libertação de Alexey Navalny, opositor daquele Governo.