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Câmara de Lisboa confirma envio de dados de manifestantes para China e Venezuela

Ativistas palestinos, bielorrussos e ucranianos que organizaram manifestações em Lisboa não têm dúvidas que os seus dados foram também partilhados sem consentimento.

Depois do envio dos dados dos ativistas russos pela Câmara de Lisboa à Embaixada da Rússia, palestinos, bielorrussos e ucranianos acreditam que os seus dados foram também partilhados. A autarquia assumiu que enviou dados de ativistas para a China e para a Venezuela.

Desde 2008, Alexandra Correia já organizou dezenas de manifestações de apoio ao Tibete e contra o regime chinês. Esta sexta-feira, a Câmara de Lisboa assumiu à imprensa que os dados da ativista tinham sido enviados para embaixada da China. Mas Alexandra só soube quando foi contactada pela SIC.

Em junho de 2019, Milton Nascimento deu um concerto em Lisboa, quatro dias antes da atuação em Israel. No exterior, o comité de solidariedade com a Palestina manifestou-se para pedir ao artista que não atuasse no país. Os manifestantes dizem que os dados das pessoas foram partilhados com a embaixada.

A Embaixada de Israel em Portugal esclarece que nunca pediu nem recebeu da autarquia os dados dos ativistas, mas um email mostra que Câmara enviou a informação para o endereço eletrónico da Embaixada de Israel.

Enquanto a autarquia faz o levantamento de todos os dados partilhados indevidamente, Katerina não tem dúvidas que o Governo bielorrusso já sabe tudo sobre si, a começar pela morada. A ativista contra o regime bielorrusso organizou nos últimos anos 15 manifestações.

A Câmara Municipal da capital já confirmou que também enviou os dados para a embaixada da Venezuela de um protesto contra o bloqueio ilegal de fundos estatais pelo Novo Banco. No caso, a manifestação não era contra o regime do país.

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