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As polémicas que marcam o percurso político de Eduardo Cabrita

O caso do cidadão ucraniano morto por inspetores do SEF é só o mais recente.

Apesar da chuva de críticas e pedidos de demissão, o primeiro-ministro mantém a confiança no ministro da Administração Interna. O caso do cidadão ucraniano torturado e morto por inspetores do SEF é mais um dos casos polémicos que marcam o percurso político de Eduardo Cabrita.

“Fui o primeiro a agir quando muitos estavam distraídos. Bem-vindos, bem-vindos ao combate pela defesa dos direitos humanos”, disse o ministro em conferência de imprensa, na semana passada, na sequência da morte de Ihor Homeniúk no aeroporto de Lisboa.

Eduardo Cabrita, que se apresenta como o anfitrião da causa de um homem só, até pode ter sido o primeiro a agir, quando em março ordenou a abertura de um inquérito à morte do cidadão ucraniano torturado e morto por inspetores do SEF. Mas só nove meses depois, a reboque da pressão pública e política, chegou à decisão de indemnizar a família da vítima e a conclusão de que a diretora do SEF não tinha condições para continuar.

As polémicas golas antifumo: verão de 2019

Mas esta não é a primeira vez que Eduardo Cabrita se vê debaixo de uma chuva de críticas. A última foi no verão do ano passado, com a polémica das golas antifumo que, afinal, eram inflamáveis.

Primeiro irritou-se com a notícia, depois ordenou a abertura de um inquérito e acabou a rejeitar qualquer responsabilidade política. O adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil demitiu-se, mas o ministro da Administração Interna ficou.

Braço de ferro com os bombeiros, as falhas do SIRESP e os Kamov parados

Homem de confiança pessoal e política de António Costa, Eduardo Cabrita era ministro adjunto quando o primeiro-ministro o chamou para o lugar de Constança Urbano de Sousa, depois da tragédia dos incêndios de 2017.

Foi protagonista do braço de ferro com os bombeiros por causa da reforma da Proteção Civil, herdou da antecessora a polémica sobre as falhas do SIRESP nos incêndios e teve de explicar a frota parada de helicópteros Kamov do Estado para o combate a incêndios.

Pelo meio ainda se envolveu numa troca pública de acusações com o autarca de Mação por causa do plano municipal de emergência que era preciso ativar em pleno período de incêndios.

A insólita guerra de microfones

Antes de chegar a ministro, Eduardo Cabrita já tinha sido secretário de estado de António Costa nos Governos de José Sócrates e António Guterres. Durante o Governo de Passos Coelho, foi presidente da Comissão de Orçamentos e Finanças, onde protagonizou uma insólita guerra de microfones com o então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

O temperamento inflamável e inflamado de Eduardo Cabrita não é de agora. As polémicas em que foi alvo de uma chuva de críticas também não. Valeu sempre a Cabrita a proteção do chapéu do primeiro-ministro.