País

Morreu Jorge Coelho, histórico dirigente socialista

ANTÓNIO COTRIM

Tinha 66 anos.

O político e antigo ministro Jorge Coelho morreu esta quarta-feira, aos 66 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante, na Figueira da Foz.

Nascido em 17 de julho de 1954, em Mangualde, distrito de Viseu, o antigo dirigente do Partido Socialista, no qual se filiou em 1982, foi ministro nos dois Governos liderados por António Guterres, entre 1995 e 2001, tendo ocupado os cargos de ministro Adjunto, ministro da Administração Interna e ministro da Presidência e do Equipamento Social.

Demitiu-se em março de 2001, na sequência da queda da ponte de Entre os Rios, assumindo a responsabilidade política pelo desastre.

A sua última decisão no cargo foi pedir um inquérito ao caso porque "a culpa não pode morrer solteira".

Antes, em 1992, com Guterres na liderança do PS, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas em outubro de 1995.

Figura incontornável da política portuguesa, em 2006 renunciou ao mandato de deputado e abandonou todos os cargos partidários para se dedicar à atividade profissional na gestão de empresas.

Na SIC Notícias, foi um dos comentadores do programa Quadratura do Círculo.

Presidente da República recorda papel de Jorge Coelho e o seu papel na vida política e económica do país

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou o "amigo" Jorge Coelho em declarações à SIC Notícias.

"Criou laços pessoais que ultrapassavam as barreiras do seu partido e que ultrapassavam os limites daquilo quer era o círculo muito amplo dos seus amigos de sempre e teve uma influência muito grande em momentos importantes da vida nacional", afirma.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que, apesar de nunca ter estado no poder, "porque não queria", esteve sempre tão próximos dos centros de poder que, de alguma maneira, "influenciou a vida do país".

O Presidente da República recorda Jorge Coelho pelo papel que teve na vida política e económica de Portugal ao longo de mais de 30 anos.

Marcelo sublinha ainda a atitude do político na tragédia de Entre-os-Rios: "Fez aquilo que é muito raro em sociedades democráticas e nomeadamente na sociedade portuguesa, pois assumiu em plenitude a responsabilidade política e administrativa por tudo o que se tinha passado. E fê-lo em cima do acontecimento, sem dúvida ou hesitação, e isso os portugueses não esquecem".

Costa sobre Jorge Coelho. "Poucos foram os que conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas"

António Costa, primeiro-ministro e líder socialista, diz que está chocado com a morte do antigo ministro Jorge Coelho e fala num "momento muito difícil".

Numa mensagem dirigida à mulher e à filha, António Costa lamentou a morte do "camarada", em nome do Partido Socialista. Recorda-o como um "cidadão dedicado ao seu país", que serviu o Governo e o mundo empresarial.

"Jorge Coelho não era só um camarada, era um amigo de todos nós e um amigo de todas as gerações do PS", diz.

"Jorge Coelho era a personificação da vida e saber que ele morreu é algo que nem consigo aceitar"

António Guterres, secretário-geral da ONU e antigo parceiro de Governo de Jorge Coelho, recorda-o como "a personificação da vida", "um homem do entusiasmo, uma força interior".

"Era um amigo queridíssimo, o homem que me acompanhou em momentos decisivos na minha vida. (...) Saber que ele morreu é algo que nem sequer consigo aceitar", afirmou em declarações à SIC Notícias.

Ferro Rodrigues "em choque" com morte de Jorge Coelho: "Foi sempre um verdadeiro camarada"

O presidente da Assembleia da República e ex-líder socialista diz-se "em choque" e triste com a notícia.

Em direto no Jornal das 7, recordou, com saudade, que o socialista era uma "força da democracia e do PS" e um homem "de bom trato".

"Dentro do PS, foi sempre um verdadeiro camarada", disse, acrescentando que se recorda de "todo o percurso" que fizeram juntos no Governo e fora dele.

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