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Desaparecimento de Noah. "Pode ser um problema o apoio da população nas buscas"

O psicólogo Mauro Paulino considera ser "prematuro ou arriscado que uma criança com 2 anos possa circular (sozinha) tão cedo, num terreno tão íngreme e com tantos perigos".

As buscas para encontrar Noah, o menino de dois anos desaparecido na quarta-feira, continuam em Proença-a-Velha.

O psicólogo Mauro Paulino afirma que será preciso fazer uma abordagem "o mais rigorosa e menos enviesada" possível num contexto de investigação, mas que todas as frentes têm de ser "devidamente investigadas".

Na Edição da Tarde da SIC Notícias, fala sobre casos passados e como estes estavam ligados a um contexto familiar, afirmando, no entanto, que isto não quer dizer que não possa existir outros contextos, como um acidente ou rapto.

"Estatisticamente, prova-se que 70% de todo o contexto de violência ou negligência que possa envolver uma criança ocorre dentro de casa. E, por isso, deve haver sempre despistes destas questões que podem surgir dentro do ambiente familiar."

Defende que todas as frentes têm de ser "devidamente investigadas" à medida que as autoridades vão recebendo informações.

Às autoridades, os pais terão dito que, apesar da idade, Noah tem por hábito sair de casa sozinho com a cadela para ir ao encontro do pai nuns terrenos agrícolas muito perto da casa. Sobre esta questão, o psicólogo reconhece que há "práticas de parentalidade diferentes" do ponto de vista urbano e rural, mas considera que pode existir negligência no comportamento dos pais.

"Ainda assim, parece prematuro ou arriscado que uma criança com 2 anos possa circular (sozinha) tão cedo, num terreno tão íngreme e com tantos perigos."

Destaca o comportamento da cadela que acompanhava a criança quando desapareceu e afirma que as autoridades poderão recolher alguma informação a partir do comportamento canino.

Em relação ao apoio da população nas buscas, reconhece que a ajuda é importante, mas que deve ser organizada.

"Pode ser um problema o apoio da população nas buscas, se as coisas não forem devidamente organizadas (…) A primeira preocupação é encontrar a criança, mas não podemos esquecer que está uma investigação a decorrer."

Mauro Paulino fala ainda sobre a preocupação da GNR em encontrar a criança o mais rápido possível. "À medida que o tempo passa, a verdade foge e as probabilidades de encontrar a criança com vida vão diminuindo."

"Há toda uma preocupação porque se reconhece que à medida que este tempo vai passando, as possibilidades são menos animadoras."

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