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Juíza do caso BPP retira passaportes a outros dois arguidos ex-parceiros de João Rendeiro

Autoridades acreditam que fuga à justiça de João Rendeiro foi calculada e preparada durante meses.

A juiza do processo BPP receia novas fugas e mandou apreender os passaportes aos arguidos Fezas Vital e a Fernando Lima. A Paulo Guichard, que vive no Brasil, foi-lhe dada uma semana para se apresentar ao tribunal.

Em causa está o receio de fuga, tal como aconteceu com o ex-banqueiro. As autoridades portuguesas acreditam que a fuga de João Rendeiro foi calculada e preparada durante meses e a procuração forense, a que a SIC teve acesso, confirma que são dados ao novo advogado "poderes de representação jurídica e forense em qualquer processo de extradição" num documento com data de 25 de agosto, ou seja, anterior à saída de Rendeiro do país.

A procuração só deu entrada à meia-noite de quinta feira, depois de em declarações públicas, Carlos Paulo ter assumido ser o novo defensor do homem condenado por crimes na gestão do BPP. Há 10 anos, o advogado era o representante dos clientes do banco.

Em despacho de 1 de outubro, onde é confirmada a mudança de advogado, a juíza Tânia Loureiro Gomes manda apreender os passaportes a Fezas Vital e a Fernando Lima.

Os dois arguidos, ex-parceiros de Rendeiro no BPP, apresentaram requerimentos em tribunal a pedir a revisão das medidas de coação e "expressando repúdio pela fuga para parte incerta do seu co-arguido João Rendeiro". Por decisão da juíza estão proibidos de se ausentar do país e obrigados a entregar o passaporte ao tribunal.

Paulo Guichard, ex-gestor do BPP, braço direito de Rendeiro, também condenado neste processo, e que vive há dez anos no Brasil, tem uma semana para se apresentar ao tribunal, a 8 de outubro. A juíza decidiu ainda que um quarto arguido do processo, Mário Silva tem um mês para pagar uma caução de 20.000 euros.

A mulher do ex-banqueiro está em Portugal. A SIC captou imagens, esta sexta-feira, na mansão de João Rendeiro, na Quinta Patino, em Cascais, no momento em que estava a ser abordada pela GNR de Alcabideche.

Segundo o Jornal de Notícias, e depois de ter sido detectado um registo de acesso ao blogue pessoal, João Rendeiro estará no Belize, país da costa leste da América Central, que não tem acordo de cooperação com Portugal. A justiça portuguesa vai tentar a extraditação com base em tratados e convenções internacionais.

O primeiro mandado de captura internacional já foi emitido e será também emitido um segundo, que diz respeito à condenação já transitada em julgado por crimes de falsificação informática e falsificação de documento. Somadas todas as sentenças, João Rendeiro foi condenado a 19 anos de prisão efetiva.

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