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PSD: "Se Rui Rio não tem nada a temer, então que avance para eleições internas"

Opinião

Bernardo Ferrão, no Jornal da Noite da SIC, analisou as eleições diretas no PSD e a ameaça de eleições legislativas antecipadas.

Paulo Rangel vai anunciar esta quinta-feira, no Conselho Nacional do PSD, que é candidato à liderança do partido.

Com este anúncio "condiciona os trabalhos" porque pode levar o Conselho Nacional "a querer votar já essas eleições diretas", considera Bernardo Ferrão, e também "obriga Rui Rio a dar uma resposta nos próximos dias".

"Paulo Rangel, no fundo, inverte o jogo ou vira aqui o jogo, depois de ontem Rui Rio também ter virado o jogo. Portanto muda aqui esse papel, muda aqui o cenário. E Rui Rio hoje terá que dizer alguma coisa."

O presidente do PSD apelou ao Conselho Nacional do PSD que não marcasse já as diretas e o Congresso - como estava previsto na ordem de trabalhos - e que só o fizesse depois de se esclarecer se o próximo Orçamento do Estado é ou não aprovado.

Para Bernardo Ferrão esta questão não faz sentido, porque Rui Rio "está a cavalgar uma suposta crise" e "agarra-se a esta ideia para tentar ficar, citando o José Eduardo Martins, agravado ao poder".

"Se Rui Rio não tem nada a temer, então que avance para eleições internas."

Quanto à ameaça de eleições antecipadas, Bernardo Ferrão diz que o Presidente da República "pode ter sentido que havia aqui da parte do Governo alguma tentação de criar uma crise".

No entanto o que Marcelo Rebelo de Sousa quer dizer "é que têm de explicar o que vai mudar se houver essa crise, porque o Governo não vai ficar em duodécimos, o Governo vai mesmo cair. Têm de explicar o que muda se houver eleições daqui a seis meses".

Esta quinta-feira António Costa foi ao Parlamento falar com o grupo parlamentar do PS, mas não foi para eles que falou, foi para o Bloco e para o PCP, considera Bernardo Ferrão. "Se o primeiro-ministro estivesse achar que havia uma crise no horizonte, provavelmente o discurso seria diferente, muito mais dramatizado. Mas não, ele fala de humildade".

"Tudo aponta para que não haja uma crise política, até com base no histórico."

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