Os advogados da família da vítima e do motorista de Eduardo Cabrita vão pedir a abertura da instrução do processo, com o objetivo de responsabilizar criminalmente o Estado, na pessoa do ex-ministro da Administração Interna.
Diz o Código da Estrada que, quando vai um ministro do banco de trás e o veículo segue em serviço urgente de interesse público, há regras de trânsito que podem ser quebradas.
Quando isso acontece, é "a entidade com competência de direção, tutela ou superintendência sobre o condutor" que tem de responder.
Os advogados da família da vítima e do motorista de Eduardo Cabrita entendem que é o Estado, na pessoa do ex-ministro Eduardo Cabrita, quem tem de responder pelo atropelamento de Nuno Santos, na A6.
O processo, consultado pela SIC esta quinta-feira, mostra um novo croqui do acidente.
No caso, o atropelamento aconteceu a alguns metros do local em que se encontrava a carrinha que sinalizava os trabalhos.
Eduardo Cabrita insiste que nunca viu nenhuma sinalização de trabalho ou de trabalhos em curso no local do acidente, nem se apercebeu de qualquer carrinha a sinalizar os trabalhos na berma.
Depois do acidente, foram ouvidas 11 testemunhas, incluindo todos os elementos da comitiva do Governo e os colegas da vítima - Eduardo Cabrita não.
Farta de esperar por respostas, no final de outubro, a família do trabalhador atropelado quebrou o silêncio.
Eduardo Cabrita diz que, afinal, até viu a vítima na estrada e que o condutor virou o veículo para a direita, buzinou ao peão e reduziu a velocidade.
As declarações do ministro coincidem com as do motorista, que também refere ter travado e buzinado quando Nuno Santos atravessava a estrada.
Refere que, ao se aperceber do carro, o peão parou na via onde caminhava e hesitou.
Aí o motorista diz que desviou a trajetória para a direita e o peão fugiu para a esquerda.
A 166 quilómetros por hora, diz a investigação, não foi possível evitar o acidente.
Diz a GNR que a travagem - se existiu - não deixou qualquer marca.
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