O atropelamento mortal na A6 do trabalhador Nuno Santos, pela viatura onde seguia o então ministro da Administração Interna, terá acontecido três metros antes da localização do veículo de sinalização das obras, segundo o respetivo condutor.
O funcionário da empresa Arquijardim que, no dia do atropelamento, conduzia a viatura de sinalização das obras disse, na fase de inquérito do processo, que viu Nuno Santos a atravessar a via, pela traseira da viatura, em direção ao separador central. Quanto ao embate revelou terá acontecido a cerca de três metros de distância da berma onde estava parado, com avançou o jornal Público.
Nos autos do processo, este funcionário, e testemunha, disse ter sido alertado para o acidente, repentinamente, quando ouviu buzinas e, quase de imediato, um estrondo.
Este funcionário, assim como os dois colegas, que alegam não se ter apercebido do acidente, garantiram que a viatura das obras tinha sinalização luminosa e os quatro piscas ligados e sinais estáticos acoplados na traseira.
Recorde-se que, na passada sexta-feira passada, o Ministério Público deduziu acusação contra Marco Pontes, motorista do veículo do ministro, imputando-lhe a prática de um crime de homicídio por negligência e duas contraordenações.
De acordo com o despacho de acusação, a 18 de junho, a viatura do ministro seguia em comitiva, na A6, com mais dois veículos, quando atropelou mortalmente Nuno Santos, um dos trabalhadores que efetuavam obras de manutenção da via, ao quilómetro 77,600, no sentido Caia/Marateca.
Uma hora depois a ambulância ainda não tinha chegado
A SIC consultou o processo do acidente que envolveu o carro do ex-ministro Eduardo Cabrita.
Tanto o motorista como o ex-ministro aperceberam-se da vítima a atravessar a estrada. O motorista travou e terá virado para a direita. Já o trabalhador hesitou e depois tentou fugir em direção ao separador central.
No depoimento por escrito que deu ao processo, apenas quatro meses depois do acidente, Eduardo Cabrita afirmou que não viu a carrinha de sinalização dos trabalhos.
O jornalista Bruno de Castro Ferreira dá a conhecer os detalhes do processo, revelando que uma hora depois do acidente a ambulância ainda não tinha chegado ao local e que a vítima foi assistida por três ambulâncias que passaram na A6.
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