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Vórtex: Miguel Reis poderá ter sido corrompido com pelo menos 50 mil euros e mobília

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O Ministério Público acredita que o ex-autarca aceitou o dinheiro e os móveis de Francisco Pessegueiro para aprovar os seus projetos urbanísticos.

As câmaras de videovigilância investigadas pelo Ministério Público mostram o ex-presidente da câmara de Espinho a receber dinheiro num café da cidade.

A Câmara de Espinho encontra-se na rua 20, onde fica também o café 20 Intensus - local de paragem do ex-autarca Miguel Reis e o ponto de entrega de milhares de euros.

Miguel Reis garantiu em tribunal ter recebido apenas uma lista com projetos pendentes na autarquia, quando foi filmado pelas câmaras de videovigilância a receber em mãos um envelope do empresário de construção Francisco Pessegueiro.

Nos documentos a que a SIC teve acesso, o Ministério Público escreve que, no dia do interrogatório perante o juiz, o ex-autarca deixou por explicar por que razão recebeu uma pasta que se manteve na mesa durante todo o tempo da conversa.

Os procuradores afirmam que tal pasta foi subtilmente empurrada para junto de Miguel Reis e sobre a qual colocou de imediato o telemóvel, levantando-se de seguida para abandonar o local.

A alegada entrega de 5 mil euros foi filmada a 20 de maio.

A esta, o Ministério Público soma outras entregas a Miguel Reis entre 14 e 27 de dezembro, somando pelo menos 50 mil euros para aprovar projetos urbanísticos de Francisco Pessegueiro. O empresário terá até assinado o pagamento de mobília entregue na residência de Miguel, já depois da aprovação de um dos projetos.

No interrogatório depois de ser detido, Miguel Reis aceitou prestar declarações para dizer ao juiz que não se intromete, não pressiona, nem atua junto de funcionários da autarquia.

O empresário Francisco Pessegueiro, suspeito de corrupção ativa, ficou em silêncio, mas quis apenas deixar claro que é um mero gerente de talhos e que recebe por mês pouco mais de 1.500 euros.

O Ministério Público não aceita a explicação e garante que o empresário gere os projetos imobiliários em investigação, administra o dinheiro da família e possui relevante património.

Miguel Reis e Francisco Pessegueiro, alegados corrompido e corruptor, respetivamente, estão em prisão preventiva.

Onde tudo começou

A Polícia Judiciária realizou uma operação policial - que designa por Operação Vórtex - para dar cumprimento a mandados de detenção e de buscas. Sob investigação estão crimes de natureza económico-financeira.

No âmbito desta operação foram realizadas "cerca de duas dezenas de buscas, domiciliárias e não domiciliárias, que visaram os serviços de uma autarquia local, residências de funcionários da autarquia e diversas empresas sediadas nos concelhos de Espinho e Porto, tendo-se procedido “à detenção de cinco pessoas”, entre os quais o ex-autarca de Espinho.

Após esta operação policial, Miguel Reis renunciou do cargo de presidente da Câmara de Espinho.

Sob suspeita estará também o mandato de Joaquim Pinto Moreira, ex-autarca de Espinho entre 2009 e 2021, que não foi detido nem interrogado. Em causa estará um pedido favores enquanto deputado para aprovar a obra de um familiar do dono de um grupo imobiliário de Espinho

Uma vez que é atualmente deputado do PSD, Joaquim Pinto Moreira goza de imunidade parlamentar.

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