A proibição do uso de telemóveis nas escolas tem ajudado a reduzir os casos de cyberbullying entre alunos, segundo a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Ao Diário de Notícias, os responsáveis escolares relatam mudanças visíveis no quotidiano escolar, sobretudo nos recreios, agora mais ruidosos e dinâmicos.
Desde o início deste ano letivo, os telemóveis são proibidos para os alunos do 1.º e 2.º ciclos. Para os do 3.º ciclo, O Governo recomendou "medidas restritivas". O Ministério da Educação sugeriu a criação de espaços e atividades que promovam a socialização entre alunos.
Inicialmente, a medida surgiu como uma recomendação para que o Ministério da Educação pudesse perceber os principais efeitos das restrições ao uso de telemóveis e definir o caminho a seguir pelas escolas públicas e privadas nesta matéria.
A redução dos casos de bullying, de indisciplina e de confrontos físicos nas escolas que seguiram as orientações do Governo tornou-se evidente.
Um inquérito realizado a mais de 800 diretores de agrupamentos, cujos resultados foram divulgados no verão passado, mostrava que a maioria revelou que, durante os intervalos, os alunos começaram a socializar mais e a praticar mais exercício físico.
Apesar dos efeitos positivos da proibição dos telemóveis observados no contexto escolar, os responsáveis escolares consideram que o combate ao cyberbullying exige ainda uma resposta mais alargada. Os alunos mantêm o acesso a telemóveis e redes sociais, muitas vezes sem supervisão adequada no período extraescolar.

Nesse contexto, o PSD apresenta esta segunda-feira no Parlamento uma proposta legislativa que visa condicionar o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, procurando reforçar a proteção dos jovens no ambiente digital e complementar as medidas já adotadas nas escolas.
