Afeganistão

Afeganistão. Alemanha, Holanda, Espanha e Suécia cessaram evacuações

França e Reino Unido estão também a poucas horas de terminar o processo.

A quatro dias da "linha vermelha", isto é, a data estabelecida para a retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão, alguns países já deram como terminado o processo.

Alemanha, Holanda, Espanha e Suécia anunciaram o término da retirada de afegãos, ao passo que a França e o Reino Unido estão a poucas horas de encerrar o processo.

Esta quinta-feira foram registadas duas explosões nas imediações do aeroporto de Cabul, provocadas por bombistas suicidas. O mais recente balanço dá conta de 95 mortos e 150 feridos.

Apesar dos riscos, a esperança de sair do país mantém centenas de pessoas junto aos muros e arame farpado que cercam o aeroporto de Cabul.

A situação é vivida por milhares de pessoas, numa altura em que o tempo e as oportunidades de sair do Afeganistão começam rapidamente a esgotar-se.

Mesmo com o anúncio da possibilidade de novos ataques ao aeroporto, os EUA vão manter as operações de evacuação até à data limite para a saída das tropas estrangeiras do Afeganistão, na próxima terça-feira.

Estima-se que ainda estejam cerca de 1.500 cidadãos norte-americanos no país.

OMS procura aeroportos alternativos a Cabul para enviar ajuda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a tentar encontrar com urgência alternativas ao aeroporto internacional de Cabul para entregar medicamentos, material e equipamento médico no Afeganistão, disse hoje o responsável pela operação na região.

"Por razões logísticas e de segurança, o aeroporto de Cabul não é uma opção neste momento", disse em Genebra o diretor de emergências da OMS para a região, Rick Brennan, por teleconferência.

Estados Unidos, Espanha e Reino Unido ofereceram-se para ajudar a OMS a transportar os seus abastecimentos para o Afeganistão, mas a situação caótica no aeroporto da capital - de onde os estrangeiros e afegãos que trabalharam com eles ainda estão a ser retirados - não o tornou possível.

Além do risco inerente às operações no Afeganistão, Brennan revelou que a OMS está a enfrentar um segundo problema para conseguir levar a ajuda ao país, que tem a ver com seguros.

"As taxas de seguro para aterrar um avião em Cabul subiram para níveis nunca antes vistos", disse, citado pela agência espanhola EFE.

O chefe do escritório regional da OMS para o Médio Oriente, que abrange o Afeganistão, disse que a possibilidade de aterrar carga no aeroporto de Mazar-i-Sharif, no norte do país, está a ser explorada.

Para tal, a OMS tem estado a falar com o vizinho Paquistão, para se "trabalhar com contactos em terra" e garantir a aterragem de um avião de carga.

A OMS está também a coordenar com o Programa Alimentar Mundial (PAM), o principal braço humanitário da ONU, a utilização do transporte aéreo que está a ser preparado para levar ajuda essencial à população, que deverá estar operacional em breve.

O objetivo é transportar pelo menos 20 toneladas de material médico em cada voo.

Brennan disse não ter havido relatos de que os talibãs estejam a dificultar o acesso aos locais de trabalho das mulheres que trabalham na área da saúde.

No entanto, disse que muitas delas não vão trabalhar.

Entre as dezenas de milhares de afegãos ainda lotados em redor do aeroporto de Cabul estão trabalhadores da saúde, incluindo enfermeiros, obstetras e médicos, que também estão a tentar deixar o Afeganistão.

"Ouvimos trabalhadores da saúde e autoridades sanitárias que estão a abandonar o país ou a tentar fazê-lo, o que é obviamente um problema" para o funcionamento dos serviços de saúde, reconheceu.

Brennan salientou que quando terminarem as operações das forças internacionais, em 31 de agosto, as "necessidades humanitárias continuarão e será uma nova fase, que é complexa e a uma escala nunca antes conhecida".

Pediu que não se esquecesse que, nos últimos 20 anos de presença internacional no Afeganistão, foram feitos progressos muito importantes em termos de acesso à saúde, com os indicadores a mostrarem reduções de 60% na mortalidade materna e de 50% na mortalidade infantil.

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