Coronavírus

PR, Governo, especialistas e líderes partidários reúnem-se para avaliar situação epidemiológica

ANTÓNIO COTRIM

Especialistas sublinham tendência de descida de novos casos, internamentos e mortalidade.

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Presidente da República, Governo, líderes partidários e especialistas avaliaram a atual situação epidemiológica no país e apresentam propostas para o futuro. Estratégias que vão ajudar o Governo a delinear o plano de desconfinamento que deverá ser anunciado na quinta-feira.

A reunião começou pouco depois das 10:30. Esta análise da pandemia de covid-19 em Portugal realiza-se antes do debate e votação da renovação do estado de emergência, que está marcado para quinta-feira.

Portugal tem o índice de transmissibilidade mais baixo da Europa

Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), faz a análise da evolução da incidência e transmissibilidade, revela que o índice em Portugal é o mais baixo da Europa, mas tendência está a desacelerar.

"Há uma tendência de decréscimo [de casos] mas que tem vindo a diminuir" - o índice Rt = 0,74, mas está a aumentar.

"Continuamos a apresentar o Rt mais baixo da Europa e com uma incidência já perto dos 120 [novos casos] por 100 mil habitantes"

Contudo, o investigador do INSA, que integra o grupo de peritos que presta apoio ao Governo na tomada de decisões no âmbito da pandemia de covid-19, sublinha que a "tendência de decréscimo [da incidência] tem vindo a desacelerar" e alerta que o índice de transmissibilidade está "abaixo de 1 em todo o continente, mas superior a 1 nas regiões autónomas" da Madeira e dos Açores.

Variante do Reino Unido é a dominante em Portugal

André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, revela que a variante do Reino Unido é a dominante em Portugal e que há uma tendência para a diminuição de novos casos.

"Há um crescimento da incidência" da variante britânica com maior expressão na região de Lisboa e Vale do Tejo, com aproximadamente 66% casos positivos, mas com um crescimento na região Centro e na região Norte com uma prevalência superior a 50% atualmente.

Tendência de descida de novos casos, internamentos e mortalidade

"Vemos desde a última reunião do Infarmed que houve uma manutenção da tendência de descida [de novos casos] e a incidência de Portugal ao dia de ontem [domingo] era de 141 casos por 100 mil habitantes".

Analisando a dispersão geográfica da incidência, André Peralta adiantou que se observa "uma melhoria de acordo com os patamares do ECDC [Centro Europeu de Controlo de Doenças] da incidência a nível nacional, com grande parte do território já com incidências inferiores a 120 casos por 100 mil habitantes".

Segundo o investigador, a região de Lisboa e Vale do Tejo, algumas partes da região centro e da região do Alentejo continuam com incidências superiores a 120 casos por 100 mil habitantes.

"Quando observamos a variação da incidência de forma geral o país continua com uma tendência decrescente, uma variação de incidência negativa, apesar de alguns municípios esporadicamente terem variações positivas da incidência, mas dispersos um pouco por todo o território, mais no interior, mas comum número reduzido", salientou.

De acordo com André Peralta, as incidências de covid-19 também estão a descer em todas em todas as idades, continuando o grupo etário com 80 ou mais anos com a "incidência mais alta" e o grupo dos 60, 70 e 70, 80 continuam a ter uma incidência menor e são dos grupos mais protegidos.

Em termos de evolução dos internamentos e internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos mantém-se a tendência de descida com 354 casos em unidade de cuidados intensivos semelhante à primeira semana de novembro.

O internamento em enfermaria é em maior número no grupo etário dos 80 mais, seguido dos 70, 79, 60, 69 e vai decrescendo à medida que a idade também diminui.

Nos internamentos em cuidados intensivos o padrão é diferente e o grupo etário com maior número de casos é o dos 60 aos 69, o que André Peralta considerou "particularmente relevante", porque à medida que se for vacinando a população de 80 a mais, terá "grande impacto na mortalidade".

"Para termos impacto na redução da utilização de cuidados intensivos teremos que aguardar até que a vacinação se alargue e tenha grande expressão dos grupos mais de 50 anos", defendeu.

Relativamente à mortalidade, também se mantém a tendência de descida, com 56 mortos por milhão de habitantes, sendo semelhante à terceira semana de outubro.

ATUALIZAÇÃO DA VIGILÂNCIA DE VARIANTES GENÉTICAS DO NOVO CORONAVÍRUS EM PORTUGAL

João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, explica que a variante britânica "é prevalente a partir de fevereiro".

Variante da África do Sul (12 casos) e a variante de Manaus (11 casos) têm causado alguns casos em Portugal "mas estão controladas".

Objetivo: 60 casos por 100 mil habitantes

Óscar Felgueiras, da Administração Regional de Saúde do Norte e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, apresenta quais são os critérios que vão balizar a redução das medidas restritivas.

"O objetivo é atingir o nível abaixo de 60 casos por cem mil habitantes".

Grande parte do território já tem incidências inferiores a 120 casos por 100 mil habitantes, revelou anteriormente André Peralta Santos, da DGS.

PLANO PARA o desconfinamento

Raquel Duarte, Administração Regional de Saúde do Norte e Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, fazem propostas de plano para a redução das medidas restritivas.

Último balanço em Portugal

Portugal registou este domingo mais 28 mortes e 682 novos casos de covid-19, segundo o relatório diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 16.540 mortes e 810.094 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando este domingo ativos 61.987 casos, menos 312 em relação a ontem.

Marques Mendes diz que desconfinamento vai começar a 15 de março

Luís Marques Mendes avançou este domingo no Jornal da Noite da SIC que o desconfinamento vai começar no dia 15 pelas creches, pré-escolar e 1.º ciclo, estando ainda em dúvida se o pequeno comércio poderá abrir.

No seu espaço de comentário, o comentador disse ainda que a circulação entre concelhos vai estar proibida no período da Páscoa e que só depois dessa data é esperada a reabertura do restante comércio.

Desconfinamento: "Ideia de que há dois ou três números que são linhas mágicas não faz sentido"

A poucos dias de ser conhecido o plano de desconfinamento, parece certo que o país deverá retomar a atividade económica a diferentes velocidades, já em meados de março. Desta vez a reabertura dos diferentes setores não terá datas concretas, mas será feita mediante critérios de saúde pública, como o número de infetados e internamentos.

Para o epidemiologista Henrique Barros, a ideia “de que há dois ou três números que são linhas mágicas não faz sentido” e que o desconfinamento deve ser planeado com base em indicadores epidemiológicos, como os números de infetados e internamentos, mas também indicadores económicos e sociais.

Sobre a evolução da pandemia em Portugal, o especialista defende que era previsível a descida das infeções e hospitalizações, explicando também que é possível prever que estes números “não desceram para zero” e, a certa altura, poderá mesmo haver um momento de aumento.

Sobre a reabertura das escolas, afirma não fazer sentido que, neste momento, continuem fechadas, dizendo que o país “pode andar mais depressa” porque já há mais gente imunizada. Alerta, ainda assim, que o regresso às escolas não implica que “depois se pode ficar a conversar com amigos ou ir para o café”, conclui, explicando que isso são coisas que demorarão mais tempo.

O atual estado de emergência vigora até às 23:59 de 16 de março.

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