Eleições nos EUA

Senadores republicanos afastam-se de acusações de Trump sobre fraudes eleitorais

Mitch McConnell

Bryan Woolston

Mitch McConnell é o líder da maioria republicana no Senado e um dos aliados de Donald Trump.

Dirigentes do Partido Republicano, incluindo os poderosos senadores Mitch McConnell e Marco Rubio, demarcaram-se das acusações de irregularidades feitas pelo Presidente dos EUA, que se declarou vencedor das presidenciais, e defenderam a contagem dos votos.

O candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, declarou-se vencedor das eleições presidenciais antes de a contagem dos votos ser decisiva e acusou os democratas de tentarem "roubar" as eleições, prometendo recorrer ao Supremo Tribunal para impedir que sejam considerados votos que tenham chegado depois do encerramento das urnas.

Mitch McConnell, que é o líder da maioria republicana no Senado e um dos aliados de Donald Trump, demarcou-se das afirmações do Presidente e admitiu que, embora este ano haja um número maior de estados com votação antecipada e pelo correio (101 milhões de eleitores no total), os candidatos devem adaptar-se "às regras de cada estado".

"Alegar que se ganhou a eleição é diferente de encerrar a contagem", afirmou McConnell aos jornalistas, adiantando que "a decisão dos estados sobre como conduzir a eleição não é assunto do Governo federal".

Depois de denunciar uma "fraude" sem apresentar qualquer prova Donald Trump, declarou-se vencedor na Pensilvânia, Geórgia, Carolina do Norte e Michigan, quatro estados importantes.

"Levar dias para contar votos legalmente expressos NÃO é fraude", escreveu o senador Marco Rubio na sua conta da rede social Twitter.

Horas antes, Rubio tinha garantido, noutra mensagem, que "o resultado da corrida presidencial será conhecido depois de contados todos os votos legalmente expressos".

Na mesma linha, o ex-governador republicano Chris Christie defendeu à ABC News que se deve deixar o processo decorrer naturalmente antes de considerar que falhou.

"É uma má decisão estratégica, é uma má decisão política e não é o tipo de decisão que se esperara de alguém que ocupa a posição que ocupa esta noite (em referência ao anúncio de Trump na madrugada de quarta-feira)", acrescentou Christie, que também é assessor do governante e passou vários dias nos cuidados intensivos por ter covid-19.

Segundo as últimas estimativas, Joe Biden está à frente na corrida. O próximo Presidente dos Estados Unidos será o candidato que conseguir pelo menos 270 delegados do colégio eleitoral.

Trump faz acusações "infundadas" sobre o processo eleitoral dos EUA, afirma OSCE

Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disseram que as acusações feitas sobre o processo eleitoral norte-americano, nomeadamente pelo Presidente, Donald Trump, prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas.

As "acusações infundadas de deficiências sistemáticas" do processo eleitoral nos Estados Unidos, em particular do Presidente Donald Trump, "prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas", alertou na quarta-feira, num comunicado, a missão de observadores da OSCE nas eleições norte-americanas, que decorreram na terça-feira.

"Depois de uma campanha tão dinâmica, garantir que todos os votos sejam contados é uma obrigação fundamental para todos os ramos do Governo", disse Michael Georg Link, coordenador especial e líder da missão de observação de curto prazo do organismo europeu, no comunicado.

De acordo com a missão de observação, a eleição de terça-feira foi "apertada" e "bem administrada, apesar dos muitos desafios causados pela pandemia de covid-19".

Os observadores notaram que a campanha eleitoral nos Estados Unidos foi caracterizada por uma "polarização política profundamente enraizada, que muitas vezes obscurecia o debate político mais amplo e incluía alegações infundadas de fraude sistemática".

"Alegações infundadas de deficiências sistemáticas, particularmente por parte do Presidente em exercício (Donald Trump), mesmo na noite das eleições, prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas", disse o líder da missão.

Na quarta-feira e poucas horas após as primeiras projeções de votos serem conhecidas, Trump denunciou uma "fraude" eleitoral sem fornecer provas e ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal para impedir a contagem dos votos, enquanto Biden pedia paciência até obter os resultados.

Ao longo do dia, a campanha de Trump desafiou o escrutínio em pelo menos quatro Estados importantes, Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Geórgia.

Sondagens, processos judiciais e o provável vencedor

Trump pede suspensão da contagem dos votos na Pensilvânia e no Michigan

A equipa de campanha de Donald Trump apresentou na quarta-feira uma queixa judicial para a suspensão da contagem de votos nos estados da Pensilvânia e do Michigan, onde o Presidente foi ultrapassado por curta margem por Joe Biden, segundo os resultados parciais.

O diretor de campanha, Bill Stepien, disse em comunicado que as suas equipas "não tiveram acesso a diversos locais para observar a contagem dos votos", ao contrário do previsto pela lei do Michigan.

"Apresentámos a queixa hoje num tribunal do estado para obter a suspensão destas operações e aguardar que seja permitido o acesso", explicou.

A equipa exigiu ainda um "reexame" dos boletins já recenseados, acrescentou Stepien.

Biden "ganha" Michigan e Wisconsin e aproxima-se dos 270 votos

O candidato democrata Joe Biden ganhou os Estados do Michigan e Wisconsin na quarta-feira, o que reduziu de forma substancial o caminho de Donald Trump para a reeleição, segundo projeções de diversos meios de comunicação americanos.

Biden vence Winsconsin

O candidato democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos, Joe Biden, derrotou no Wisconsin o Presidente Donald Trump, segurando os 10 delegados em causa, recuperando o estado que perdera na votação de 2016.

Segundo a agência Associated Press (AP), as autoridades eleitorais do Wisconsin indicaram que todos os votos pendentes foram já contados, exceto algumas centenas num município e um pequeno número esperado de boletins provisórios.

A campanha de Trump já pediu uma recontagem.

As recontagens estaduais no Wisconsin mudaram historicamente a contagem de votos em apenas algumas centenas de votos, com Biden a liderar por 0,624% em quase 3,3 milhões de votos contados.

A vitória de Biden no Wisconsin permite adicionar mais 10 delegados aos 238 já obtidos para o Colégio eleitoral, enquanto Trump se mantém nos 213.

Para se vencer as eleições será necessário que um dos candidatos atinja os 270 delegados no Colégio eleitoral.

Biden promete "luta sem tréguas" até que todos os votos sejam contados

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, prometeu na quarta-feira que lutará "sem tréguas" até que todos os votos sejam contados, apesar da "vontade" de o seu rival, o Presidente cessante, o republicano Donald Trump, interromper a contabilização.

"Não vamos dar tréguas até que todos os votos estejam contados", afirmou, na rede social Twitter, o ex-vice-Presidente de Barack Obama.

Trump denuncia aparecimento de boletins de voto "surpresa"

As declarações de Biden e de O'Malley Dillon surgiram pouco depois de Trump ter denunciado, também no Twitter, o aparecimento de boletins de voto "surpresa" em vários "estados chave" que, indicou, lhe estão a retirar a vantagem.

"Ontem [terça-feira] à noite, tinha uma boa vantagem em numerosos 'estados chave'. Depois, um por um, [a vantagem] começou magicamente a desaparecer com a contagem de boletins [de voto] surpresa", escreveu Trump.

A rede social Twitter alerta os utilizadores sobre o conteúdo potencialmente enganoso desta mensagem, tal como já tinha feito a outra publicação em que acusava os democratas de tentarem "roubar a eleição" presidencial.

"Alguns ou todos os conteúdos compartilhados neste Tweet são contestáveis e podem ter informações incorretas sobre como participar de uma eleição ou de outro processo cívico", escreve a rede social na publicação de Donald Trump.

Segundo a agência noticiosa France-Press (AFP), os boletins a que Trump alude são, na verdade, os chegados pelo correio e que começaram a ser contabilizados, num processo que pode demorar vários dias em alguns estados e a agência acrescenta que o candidato republicano não apresentou provas do que afirma.

Como é eleito o Presidente dos Estados Unidos da América?

Os norte-americanos que vão às urnas não decidem diretamente quem vai ser o Presidente. Os candidatos têm de ganhar votos no colégio eleitoral.

Com base no número de habitantes, cada estado recebe um certo número de votos no colégio eleitoral.

O vencedor das presidenciais norte-americanas tem de assegurar, no mínimo, 270 dos 538 "grandes eleitores" (uma maioria simples) que compõem o Colégio Eleitoral.

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