O Parlamento aprovou esta quarta-feira os requerimentos de quatro partidos para ouvir a ministra da Justiça "com carácter de urgência" sobre as incorreções na informação curricular do procurador europeu José Guerra, numa audiência agendada para quinta-feira.
Os requerimentos do PS, PSD, CDS-PP e BE foram aprovados por unanimidade na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
A audiência vai decorrer já na quinta-feira, a partir das 17:00, informou o presidente da comissão, Luís Marques Guedes, durante a reunião.
Portugal deu informações falsas sobre José Guerra
Entre os três candidatos portugueses ao lugar de Procurador Europeu, Ana Mendes de Almeida ficou em primeiro lugar na escolha do Comité de Seleção Internacional, que avaliou os currículos e as entrevistas dos pretendentes ao cargo.
A magistrada, no entanto, acabaria por não ser a eleita. O cargo foi ocupado por José Guerra - segundo classificado - graças à intervenção direta do governo português.
EXECUTIVO JUSTIFICOU DECISÃO COM INFORMAÇÕES FALSAS
Numa carta a que a SIC teve acesso, enviada ao Conselho da União Europeia em novembro do ano passado, o Executivo justifica a alteração com informações que não são verdadeiras.
Guerra é apresentado como Procurador-Geral Adjunto, a categoria mais alta no Ministério Público, mas que na verdade o magistrado ainda hoje não atingiu. O erro é repetido seis vezes ao longo do documento.
Para além da experiência internacional de José Guerra, sobretudo como membro do Eurojust, a carta do Governo entregue ao secretário-geral do Conselho através do embaixador português junto da União Europeia tece elogios ao trabalho do magistrado em Portugal, mas também aqui há elementos errados.
É dito que o procurador dirigiu a 9ª secção do DIAP, identificado como o maior departamento nacional de combate ao crime económico-financeiro quando, na realidade, é o DCIAP, onde Guerra nunca sequer trabalhou, que investiga os casos mais complexos desse tipo de criminalidade.
Há ainda uma terceira informação falsa na missiva, quando refere que José Guerra teve uma posição de liderança investigatória e acusatória no chamado processo UGT. O caso, já com mais de 20 anos, e que pôs Torres Couto no banco dos réus, foi na verdade investigado por outros três procuradores, que elaboraram a acusação. Guerra foi apenas o magistrado que esteve presente no julgamento, como confirmou o próprio à SIC.
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