À conquista de Marte

Sonda chinesa Tianwen-1 prepara-se para a arriscada aterragem em Marte

Ilustração da sonda orbital e do robô

Nature Astronomy

Robô teleguiado deverá pousar em solo marciano entre sábado e quarta-feira.

A China prepara-se para tentar pousar na superfície de Marte um pequeno robô teleguiado, lançado em julho de 2020, operação arriscada mas em linha com as cada vez mais audaciosas ambições espaciais de Pequim.

Em plena rivalidade tecnológica (e diplomática) com os Estados Unidos, o gigante asiático lançou a sonda orbital Tianwen-1 e um pequeno robô teleguiado para pousar em Marte a 23 de julho, a bordo do foguetão chinês "Long March-5".

A sonda, que entrou na órbita do planeta vermelho em fevereiro deste ano, é constituída por três elementos, entre eles um módulo de onde sairá o robô teleguiado "Zhurong" (o deus do fogo na mitologia chinesa), que irá analisar a superfície do planeta (um pouco à semelhança do que já está a fazer desde fevereiro o robô Perseverance da NASA

A Agência Espacial Chinesa (CNSA) tinha avançado num primeiro momento com uma janela de oportunidade entre meados de maio e meados de junho. Esta sexta-feira em comunicado disse que o desembarque deve ocorrer "entre a madrugada de 15 e 19 de maio".

O especialista em voos espaciais Ye Peijian, líder do programa chinês de exploração da Lua, já antes tinha avançado com a previsão de aterragem do módulo no sábado às 7h11 em Pequim, 00h11 em Lisboa.

Utopia Planitia fotografada em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA

Utopia Planitia fotografada em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA

NASA

"Deus do fogo" na superfície marciana

Pouco se sabe sobre estes engenhos chineses para a exploração de Marte, além de que "Zhurong" tem como objetivo recoher amostras do solo e analisá-las, analisar a atmosfera, tirar fotografias e assim também contribuir para a cartografia do planeta e, claro, procurar eventuais vestígios de existência de vida no passado.

Segundo um artigo científico publicado na revista Nature Astronomy, sabe-se que este robô teleguiado pesa cerca de 240 quilos, está equipado com quatro painéis solares e tem seis rodas.

Deverá estar completamente operacional dois a três meses depois da chegada a Marte e o seu trabalho será cumprido durante cerca de 90 dias marcianos - cerca de metade desse tempo na Terra.

O local para pousar será a planície Utopia, no hemisfério norte de Marte, onde o módulo norte-americano Viking 2 pousou em 1976.

Pousar no planeta vermelho é particularmente difícil e várias missões europeias, soviéticas e americanas acabaram por fracassar.

A missão Tianwen-1 enviou a primeira imagem de Marte a 12 de fevereiro - quando a sonda espacial entrou na órbita de Marte e fotografou crateras brancas na superfície do planeta.

A 4 de março enviou mais três imagens: uma foto em preto e branco da cratera Schiaparelli e do sistema de vales Valles Marineris.

 cratera Schiaparelli e do sistema de vales Valles Marineris.

cratera Schiaparelli e do sistema de vales Valles Marineris.

cnsa.gov.cn

AS AMBIÇÕES ESPACIAIS DA CHINA

Nos últimos 17 anos, a China tem apostado no programa espacial para se tornar numa potência mundial na próxima década, a par dos Estados Unidos e da Rússia.

A Tianwen-1 é a segunda tentativa da China de enviar uma sonda para Marte. Em 2011, uma sonda enviada em conjunto com a Rússia não conseguiu sair da órbita da Terra.

A China já participa na Estação Espacial Internacional, enviou no ano passado esta sonda para Marte, está a construir a sua própria estação espacial e quer enviar os seus próprios astronautas até à Lua para onde já lançou com uma sonda com sucesso que pousou no lado oculto da Lua.

A China pode agora tornar-se o terceiro país a aterrar um robô no solo de Marte, décadas depois dos Estados Unidos (bem antes do Perserverance) e da antiga União Soviética.

Na órbita do planeta está ainda a primeira sonda do Emirados Árabes Unidos, a Esperança, mas que não tem nenhum módulo para pousar em Marte.

Réplica do robô teleguiado "Zhurong".

Réplica do robô teleguiado "Zhurong".

Tingshu Wang / Reuters

ESPECIAL À CONQUISTA DE MARTE

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