Coronavírus

Qual é o risco de as crianças contraírem Covid-19?

Athit Perawongmetha / Reuters

São o grupo populacional com a mais baixa taxa de infeção.

Especial Coronavírus

O novo coronavírus 2019-nCoV (responsável pela doeça ou infeção Covid-19) ainda é um mistério por desvendar, com muitas dúvidas sobre a sua transmissão e contágio. Mas sabe-se que os números são elevados: quase 100 mil infetados pelo mundo, mais de 3 mil mortes até agora - a maioria na China, mas já a ultrapassar a centena em Itália e no Irão.

Razões suficientes para os pais estarem preocupados com os filhos.

É importante sublinhar que muito poucas crianças foram infetadas pelo vírus e, que se saiba, não há mortes entre a população infantil. A taxa de mortalidade é mais elevada em pessoas idosas e com problemas de saúde anteriores, como diabetes ou doenças cardíacas.

O que são coronavírus?

Os coronavírus não são novidade, são um grande grupo de vírus comuns entre os animais descoberto na década de 1960.

Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que causam doenças que variam da constipação comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). O novo coronavírus (2019-nCoV) é uma nova estirpe que não tinha sido previamente identificada em humanos, explica a OMS.

O nome "corona" deriva da característica de estar envolvido por uma "coroa" de proteínas.

A morfologia ultraestrutural do novo Coronavirus 2019 (2019-nCoV), identificado como a causa de um surto de doença respiratória detetada pela primeira vez em Wuhan, China. Ilustração divulgada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

A morfologia ultraestrutural do novo Coronavirus 2019 (2019-nCoV), identificado como a causa de um surto de doença respiratória detetada pela primeira vez em Wuhan, China. Ilustração divulgada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Handout via REUTERS

A infeção provocada pelo novo coronavírus detetado na China passou a ter o nome oficial Covid-19, decidiu a OMS a 10 de fevereiro, num fórum de dois dias que juntou cientistas, investigadores e peritos de saúde para debater formas de controlo do surto.

Covid-19 deriva do inglês corona virus disease - doença por coronavírus.

2019-nCoV é uma nova estirpe de coronavírus que não tinha sido identificada antes do surto que começou em Wuhan, na China, em dezembro de 2019.

Que sintomas podem provocar?

Tal como outras doenças respiratórias, a infeção pelo novo coronavírus pode causar sintomas leves mas pode ser mais grave para algumas pessoas e pode levar a pneumonia ou dificuldades respiratórias.

Os sintomas são semelhantes a uma gripe, como por exemplo:

  • febre
  • tosse
  • falta de ar (dificuldade respiratória)
  • cansaço

Em casos mais graves pode evoluir para pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda e falência renal. Mais raramente, a doença pode ser fatal. Pessoas idosas ou com condições médicas pré-existentes (como diabetes e doenças cardíacas) parecem ser mais vulneráveis a ficar gravemente doentes com o vírus.

Os números e os sintomas nas crianças

O número de casos confirmados de infeção por Covid-19 em crianças é baixo: em 44.000 casos confirmados da China, apenas 416 (menos de 1%) tinham nove anos ou menos. Não foram registadas mortes nesta faixa etária.

Fora da China, para já, há uma criança infetada na Austrália, três em Espanha, uma na Bósnia, cinco em França.

Estes casos já confirmados de infeção foram resultado de contágio pelos adultos próximos da criança.

Quanto a sintomas, segundo o estudo realizado por investigadores chineses, as crianças infetadas têm tosse, congestão e corrimento nasal diarreia e dores de cabeça. Menos de metade têm febre. Muitas nem sequer têm sintomas.

A maioria destas crianças e adolescentes chineses infetados pelo Covid-19 recuperaram em uma a duas semanas.

"Mensagem de tranquilidade para os pais"

O pneumologista e coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para o Covid-19 Filipe Froes sublinha que as crianças são "o grupo populacional que tem uma baixa taxa de infeção" e quase nenhuma taxa de gravidade.

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, também realça o facto de haver "poucos casos descritos em crianças e casos severos ainda menos".

"Não é desdramatizar, mas é importante que as pessoas tenham essa perceção que, do ponto de vista do novo coronavírus, com os dados que temos até ao momento, as crianças não são dos grupos mais vulneráveis", disse Ricardo Mexia.

Recomendações para prevenir o contágio

Algumas das recomendações à população pela Organização Mundial da Saúde e pela Direção-geral da Saúde portuguesa:

  • Lavagem frequente das mãos com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;

  • Ao tossir ou espirrar, fazê-lo não para as mãos, mas para o cotovelo ou para um lenço descartável que deve ser deitado fora de imediato;

  • Evitar contacto próximo com quem tem febre ou tosse;

  • Evitar contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;

  • Deve ser evitado o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.

Lavar as mãos é o método mais eficaz para prevenir o contágio pelo novo coronavírus

Mas se tal não for possível, recorre-se então aos desinfetantes ou aos toalhetes.

E como há grande probabilidade de virem a esgotar nas lojas portuguesas, aqui fica a receita para um desinfetante caseiro.

Mariana Bazo / Reuters

Veja também:

Links úteis

Especial sobre o novo coronavírus Covid-19
Linha SNS24
Direção-Geral da Saúde (DGS)
Organização Mundial da Saúde (OMS)
ECDC - Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças

Mapa interativo dos países afetados pelo coronavírus

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    Direto

    SIC Notícias