Coronavírus

Fecho das escolas compensado no Carnaval, Páscoa e verão. Ensino à distância pode vir a ser ponderado

JOSÉ SENA GOULÃO

Rita Rogado

Rita Rogado

Jornalista

Ministro da Educação falou aos jornalistas sobre o encerramento das escolas.

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O Ministro da Educação esclareceu esta quinta-feira que vai haver um reajustamento do calendário escolar nas interrupções previstas para o Carnaval e para a Páscoa e no final do ano letivo. Explicou também que as escolas vão servir refeições a alunos da Ação Social Escolar e que as atividades de alunos com Necessidades Educativas Especiais vão manter-se. Admitiu ainda a ponderação do ensino à distância.

Na conferência de imprensa sobre as medidas aprovadas no Conselho de Ministros, a partir do ministério da Educação, em Lisboa, disse que esta quinta-feira é um dia "muito penalizador" para um ministro da Educação e para toda a comunidade portuguesa, lembrando que as escolas vão estar encerradas durante pelo menos 15 dias, a partir desta sexta-feira.

"Sei que a sociedade portuguesa entendeu que as escolas fizeram um enorme e extraordinário trabalho", afirmou Tiago Brandão Rodrigues.

O primeiro-ministro tinha anunciado, depois da reunião do Conselho de Ministros esta quinta-feira, uma interrupção letiva de 15 dias, que entra em vigor na sexta-feira, que se justifica por um "princípio de precaução" por causa do aumento do número de casos da variante mais contagiosa do SARS-CoV-2, que cresceram de cerca de 8% de prevalência na semana passada para cerca de 20% atualmente.

Reajustamento do calendário escolar

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, anunciou que, devido ao encerramento das escolas, vai haver um reajustamento do calendário escolar, retirando dias às pausas letivas, mais concretamente nas interrupções previstas para o Carnaval e para a Páscoa e no final do ano letivo.

"Estes 15 dias, e depois da auscultação a vários atores da educação, vão ser compensados, na que era a interrupção letiva do Carnaval, naquilo que restava da interrupção letiva da Páscoa e também com uma semana no final do ano letivo e assim conseguimos compensar estes 15 dias", disse.

Ensino à distância ponderado

Tiago Brandão Rodrigues afirmou que o encerramento das escolas durante os próximos 15 dias trata-se de "uma janela temporal relativamente pequena".

"Sabemos que depois disso temos de tomar decisões", acrescentou.

O responsável pela pasta da Educação salientou que o ensino à distância não substitui as aulas presenciais e que os milhares de alunos sem aulas presenciais vão sofrer consequências:

"Esta é a geração que vai pagar uma fatura muito maior do que a geração mais velha. Vão ter problemas de alergologia, oncológicos, respiratórios, cardiovasculares, mentais. Por isso temos de voltar para a escola".

"É na escola que os mais vulneráveis têm uma atenção redobrada", acrescentou.

No entanto, admitiu uma ponderação de ensino à distância no final do período de 15 dias, agora decretado.

Por isso, o ministro da Educação considera muito importante que os portugueses se unam para que "este sacrifício que os mais novos estão a fazer possa ter efeito para mitigar esta pandemia".

"Apelo à sociedade portuguesa para que cumpra todas as regras em vigor para que possamos combater a pandemia e possamos reduzir este período de afastamento", disse.

"As regras nas nossas escolas foram cumpridas e sei que os jovens vão cumprir este confinamento", acrescentou.

Escolas abertas para servir refeições e para alunos com Necessidades Educativas Especiais

O ministro esclareceu que as escolas vão estar abertas "para servir refeições aos alunos da Ação Social Escolar" e para receber os filhos dos trabalhadores essenciais. Além disso, as atividades de alunos com Necessidades Educativas Especiais vão estar em funcionamento.

Na conferência de imprensa, garantiu que o Governo comprou mais de 300 mil computadores para os alunos mais carenciados.

Ensino privado

Questionado sobre casos de estabelecimentos de ensino privados quererem avançar com ensino à distância nos próximos 15 dias, o responsável salientou que não há exceções.

"Tenho muito respeito pelo ensino particular e cooperativo, mas não são as nossas universidades e o nosso ensino politécnico com o grau de autonomia que tem. Este ziguezaguear, não digo oportunismo, mas espreitar sempre à exceção ou tentar fazer diferente é o que nos tem causado tantos problemas. O cumprimento das regras é algo que deve acontecer. Todas as atividades letivas estão interrompidas durante este período. Isso é muito claro", afirmou.

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