Esquecidos

Dez anos de guerra: o conflito na Síria não chegou ao fim e a população continua a sofrer

Michael Goldfarb

Depois de dez anos de guerra, as necessidades de milhões de sírios não desapareceram. Desde o início do conflito, a vida da população tem permanecido sob ameaça.

KARAM ALMASRI

Unknown

Uma década de vidas destruídas

Em 2011, a situação mudou rapidamente de protestos localizados para uma guerra em larga escala, resultando numa situação humanitária devastadora que persiste passada uma década.

Ao longo destes dez anos, 12 milhões de sírios – metade da população do país antes de eclodir o conflito – foram forçados a fugir e a deixar as casas para trás, frequentemente múltiplas vezes, no que se tornou na maior crise de deslocações populacionais deste século. Muitas destas pessoas continuam deslocadas até hoje.

Uma significativa parte das infraestruturas sírias foi também destruída durante os anos de conflito. Em particular, o sistema de saúde da Síria, que era relativamente funcional, ficou devastado.

Centenas de estruturas médicas foram bombardeadas, largos números de profissionais médicos foram mortos ou fugiram, e há ainda uma desesperante escassez de provisões médicas em muitas partes do país. Hoje em dia, as necessidades médicas da população síria são enormes.

Um país devastado

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) está a dar resposta à crise na Síria desde o começo.

A organização internacional médica tem providenciado apoio às pessoas necessitadas em diferentes áreas do país: da doação de provisões médicas à criação de hospitais e clínicas, à prestação de assistência remota a estruturas médicas e a redes de profissionais de saúde em áreas a que a MSF não consegue aceder diretamente.

Atualmente a MSF presta apoio a sírios dentro da Síria assim como em vários países vizinhos que acolhem pessoas refugiadas da Síria.

Esta cronologia descreve uma década de conflito, sublinhando as crescentes necessidades humanitárias e médicas de milhões de sírios e os esforços da MSF para lhes dar resposta.

2011: protestos tornam-se num conflito armado

Em 2011, largos números de sírios saíram às ruas a exigir reformas democráticas. A revolta evoluiu rapidamente dos iniciais pequenos protestos para protestos maciços durante o mês de março.

A reação aos protestos foi violência policial e militar, detenções em larga escala e uma repressão brutal, resultando em centenas de mortos e milhares de feridos. Conforme os protestos se transformaram num conflito, os sírios começaram a partir das suas cidades natais, rumo a outras partes do país ou fugindo para países vizinhos.

Para a MSF, prestar cuidados médicos às pessoas dentro da Síria revelou-se um desafio desde o início do conflito. Na verdade, desde 2011 até hoje, a MSF não recebeu autorização para trabalhar em áreas do país controladas pelo Governo, apesar dos repetidos pedidos de permissão feitos – em consequência, as zonas em que a organização humanitária trabalha têm estado sempre concentradas onde não há controlo do Governo.

Jamal Bali

Renate Sinke

Agnes Varraine-Leca

A MSF conseguiu mesmo assim providenciar ajuda médica a pessoas necessitadas na Síria através do apoio prestado a redes de profissionais médicos sírios e fazendo doações de provisões médicas e de assistência humanitária a hospitais de campanha e a clínicas nas províncias de Homs, Idlib, Hama e Daraa.

Sem poder aceder à capital, a MSF fez doações ao Crescente Vermelho Sírio em Damasco, face ao aumento das necessidades médicas e a falta de provisões médicas na cidade.

Em países vizinhos como o Líbano e a Jordânia, a MSF começou a prestar apoio aos sírios que precisavam de cuidados médicos que não estavam disponíveis na Síria e ativou projetos para providenciar assistência às pessoas refugiadas que tinham começado a fugir da violência no seu país.

2012: guerra total

O conflito escalou em 2012, com a formação e participação de diferentes partes beligerantes. Apesar das várias tentativas para obter um cessar-fogo, o conflito depressa evoluiu para uma guerra total e o número de mortos e feridos aumentou drasticamente por todo o país.

A MSF abriu hospitais em todo o Norte da Síria para dar resposta às necessidades crescentes das pessoas nesta região.

A maioria dos hospitais teve de ser montada em locais pouco convencionais, como casas de campo, aviários, escolas e caves, depois de algumas estruturas médicas terem sido destruídas no conflito.

Nestes hospitais, as equipas da MSF prestaram tratamentos médicos de emergência com enfoque principal em cuidados de trauma e em cirurgias relacionadas com a guerra. E com o aumento no número de refugiados sírios nos países vizinhos, a organização humanitária ampliou as atividades em locais como o vale de Bekaa, no Líbano, e em campos em redor de Domeez, no Curdistão iraquiano.

Um número cada vez maior de refugiados sírios procurava refúgio ainda mais longe, deixando o Médio Oriente para trás e partindo rumo à Europa.

2013: necessidades dos sírios aumentam

Pelo ano de 2013, a população síria estava exposta não só a elevados níveis de violência, mas também às consequências diretas de um sistema de saúde disfuncional e em deterioração.

As equipas da MSF começaram a observar o ressurgimento de doenças preveníveis. Casos de sarampo entre as crianças de Alepo e a descoberta do primeiro caso de poliomielite na Síria em 14 anos foram os primeiros indicadores de uma rutura de saúde no país resultante da guerra, e que levou a campanhas maciças de vacinação feitas pela MSF no Nordeste da Síria.

Robin Meldrum

Organizações médicas no país começaram a fazer ouvir mais alto as dificuldades que enfrentavam para dar resposta às necessidades das populações, já para não falar em lidar com mortes em larga escala e emergências graves.

Devido aos combates intensos no Sul da Síria, a MSF abriu um programa de cirurgias de urgência em Ramtha, no Norte da Jordânia, junto à fronteira com a Síria, para tratar feridos de guerra que não conseguiam receber tratamento nos 14 hospitais de campanha montados em Daraa.

Entretanto, centenas de milhares de sírios continuavam a fugir da Síria em busca de segurança ou de tratamentos médicos em países vizinhos. Estes países, a receberem um fluxo contínuo de pessoas refugiadas, começaram a adotar políticas de fronteira mais restritivas.

Face a este contexto, a MSF ampliou ainda mais o volume das operações na região, com o propósito de providenciar tanta assistência quanto possível à população síria. Pelos finais de 2013, um estimado milhão e meio de sírios eram refugiados.

Unknown

2014: combates mortais intensificam-se

Em 2014, a guerra ficou cada vez mais sangrenta. As Nações Unidas estimaram então que 6,5 milhões de pessoas eram deslocadas internas, enquanto mais de três milhões tinham fugido da Síria.

A violência e a insegurança, o apertar dos cercos e cada vez mais intensos bombardeamentos, além dos ataques contra estruturas de saúde e profissionais médicos, eram alguns dos desafios com que as equipas da MSF se confrontavam, e que as impediam de providenciar um programa mais extenso de ajuda médica humanitária.

O rapto de profissionais da MSF em 2014 conduziu também a que a MSF tenha interrompido as atividades em áreas controladas pelo grupo auto-proclamado Estado Islâmico (EI) e retirado os profissionais internacionais que trabalhavam no Noroeste da Síria. Ainda assim, a organização conseguiu manter-se presente no país, tendo ativado novos projetos e ampliado o apoio remoto prestado a estruturas médicas dentro da Síria.

2015: grande crise de pessoas deslocadas e refugiadas

O número de refugiados sírios que tinham fugido do conflito na Síria ultrapassou a marca dos quatro milhões em 2015 – milhares a tentarem a perigosa travessia do mar Mediterrâneo – e outros seis milhões de pessoas estavam deslocadas internamente no país.

O conflito causara a maior crise de deslocação de populações desde a II Guerra Mundial, deixando milhões de pessoas a precisarem desesperadamente de ajuda humanitária para salvar a vida. A MSF reforçou atividades em toda a região, tendo lançado operações de buscas e salvamento no Mediterrâneo e providenciando apoio às populações ao longo das suas viagens para a Europa.

DELIL SOULEIMAN

Com mais países e partes externas a entrarem na guerra, 2015 caraterizou-se por uma extrema violência, afetando as vidas de milhões de pessoas: áreas civis foram frequentemente bombardeadas, amiúde em ataques “double-tap” – em que o raide inicial é seguido por um outro, com alvo nas equipas de socorro que acorrem ao local ou na estrutura de saúde que recebe os feridos. Registaram-se também numerosos relatos de ataques dos quais resultaram sintomas de exposição a agentes químicos.

Pelo menos um milhão e meio de pessoas estavam encurraladas em áreas sob cerco, sem acesso a ajuda humanitária, nem cuidados de saúde ou transporte médico de urgência.

2015 foi também o ano em que as equipas da MSF prestaram apoio ao maior número de estruturas médicas dentro da Síria até à data, tendo chegado a mais de 150 unidades de saúde. Porém, o apoio da MSF não evitou que estas estruturas sofressem diretamente o impacto do conflito. Em 2015, 23 profissionais de saúde apoiados pela organização foram mortos e 58 feridos. Mais: 63 hospitais e clínicas apoiados pela MSF foram bombardeados ou atingidos por artilharia em 94 ocasiões durante o ano – 12 destas estruturas ficaram totalmente destruídas.

A MSF conseguiu ter acesso à cidade de Kobane/Ayn al-Arab, que fora fortemente destruída, após o EI ter sido forçado a retirar pelas forças curdas com o apoio das forças da coligação internacional. A organização humanitária construiu um hospital na cidade, que foi destruído num novo período de conflito intenso após combatentes do EI terem conseguido reentrar na zona. Mesmo assim, a MSF continuou a prestar apoio aos cuidados de saúde primários e secundários na cidade.

Mahmoud Abdel-rahman

Ricardo Garcia Vilanova

2016: população encurralada

Em 2016, as táticas de cerco prosseguiram, os ataques “double-tap” aumentaram e os intensificados bombardeamentos e raides de artilharia tornaram a crise humanitária dentro do país ainda mais terrível. Por esta altura, muitas áreas civis tinham sido bombardeadas quotidianamente e privadas de ajuda. Obter comida e serviços de saúde era extremamente difícil para muitas pessoas, especialmente para quem vivia nos locais debaixo de cerco.

Em dezembro de 2016, o Governo sírio retomou o controlo da zona Oriental de Alepo, mas apenas depois de os habitantes terem passado pelo mais feroz bombardeamento dos já cinco anos de guerra.

Alepo Oriental tornou-se o epítome do conflito sírio, com todas as atrocidades cometidas num só lugar: a guerra de cerco, a destruição de múltiplos hospitais, o bombardeamento indiscriminado de áreas civis, e o total desrespeito pelas leis da guerra. A MSF providenciava apoio, total ou de forma parcial, a oito hospitais em Alepo Oriental – todos foram atingidos por bombas.

Estruturas médicas, profissionais de saúde e pacientes continuaram a ser vítimas de ataques indiscriminados e deliberados. Em 2016, 32 unidades médicas que recebiam assistência da organização humanitária foram bombardeadas ou alvo de artilharia em 71 ocasiões.

Entretanto, mais países vizinhos da Síria fecharam as fronteiras aos refugiados, deixando muitas pessoas encurraladas ou sem saída junto às fronteiras fechadas, como aconteceu na fronteira com a Jordânia, e bloqueando-lhes o acesso a ações dedicadas a salvar a vida de pessoas feridas na guerra.

2017: corrida pelo território

Uma corrida pelo domínio e controlo de território emergiu como a principal mudança geopolítica neste ano. Após uma enorme ofensiva militar em Raqqa, o EI perdeu o controlo de vastas áreas do território no Nordeste do país para as Forças Democráticas Sírias apoiadas pelos Estados Unidos.

Jamal Bali

A MSF tratou centenas de feridos de guerra resultantes da intensa ofensiva de bombardeamentos sobre Raqqa, assim como quem ficava gravemente ferido por engenhos armadilhados e explosivos não detonados deixados para trás nas casas destruídas.

Entretanto, no Sul do país, o Governo sírio começou a retomar territórios nas províncias de Daraa, Quneitra e Suwayda – acontecimentos que tiveram consequências graves nas vidas de centenas de milhares de pessoas que viviam nestas zonas, devido aos intensos disparos de artilharia.

Estas alterações nas dinâmicas e no equilíbrio de poder perturbaram as atividades da MSF em algumas das áreas em que a organização estava a trabalhar. O total de 11 estruturas médicas às quais a MSF providenciava apoio foram atingidas por bombas ou artilharia em 12 ocasiões em ataques deliberados ou indiscriminados.

MSF

Com os combates intensos para ganhar controlo de regiões disputadas e os avanços militares das forças governamentais sírias, novas vagas de populações deslocadas começaram a ocorrer no Noroeste do país. Isto seguiu-se à imposição de termos de rendição por parte do Governo em que era garantida passagem segura a combatentes e a civis que quisessem ser transportados para outras áreas que não estavam sob o controlo governamental, frequentemente para a província de Idlib.

No Nordeste da Síria, entretanto, as pessoas começavam a regressar às vilas e cidades em ruínas, repletas de engenhos explosivos armadilhados e minas por todo o lado.

Entre fevereiro e abril, Ghuta Oriental, nos subúrbios de Damasco, testemunhou um dos mais fortes bombardeamentos ocorridos desde o início da guerra. Muitas estruturas de saúde foram atingidas e cerca de duas mil pessoas foram mortas durante esta ofensiva, que acabou com o Governo sírio a tomar o controlo dos subúrbios.

Em muitos locais, como Daraa, Ghuta Oriental, Hama e Homs, a MSF não pode continuar a trabalhar e a prestar apoio às unidades médicas depois de estas áreas terem sido retomadas pelo Governo sírio. Nesta altura, a organização humanitária reforçou o apoio médico no Norte do país.

Médecins Sans Frontières (MSF)

Michael Goldfarb

Louise Annaud

2018: vagas de deslocações e regressos de populações

A maior parte das pessoas recentemente deslocadas rumou para áreas onde não havia acesso a água potável nem cuidados médicos. Tinham poucas opções, uma vez que a maioria das zonas que eram consideradas seguras estavam sobrepovoadas e com a assistência humanitária esticada ao limite.

No Nordeste, a MSF reforçou as atividades para dar resposta à chegada ao campo de Al-Hol de um rápido fluxo de mais de 60 mil pessoas deslocadas, na sua maiora vindas dos últimos redutos do EI no governorado de Deir ez-Zor.

2019: operações militares no Norte

Em 2019, o conflito afeta principalmente o Norte da Síria. No Noroeste do país, centenas de milhares de pessoas foram deslocadas devido à ofensiva lançada pelas forças governamentais sírias e aliados, nomeadamente a Rússia, na província de Idlib, o último bastião da oposição.

Mais tarde no ano de 2019, o Exército turco, junto com grupos armados aliados na oposição síria, lançaram a operação “Primavera de Paz”, visando forçar a saída do grupo curdo Unidades de Proteção Popular de uma faixa de território, com 30 km de comprimento e 440 km de extensão ao longo da fronteira com a Turquia.

Acrescendo ao continuado conflito e às deslocações populacionais, pelo ano de 2019 a Síria estava a passar pela pior crise económica em vários anos e a libra síria teve a maior queda de sempre no mercado negro, tornando a vida das pessoas ainda mais difícil.

2020: ofensiva militar, crise económica e pandemia global

O ano de 2020 arrancou com a continuação de uma enorme ofensiva militar no Noroeste da Síria, causando a deslocação de cerca de um milhão de pessoas. Muitas eram já populações deslocadas na região e que tinham fugido do conflito múltiplas vezes em meses ou anos anteriores.

A pandemia da COVID-19 agravou ainda mais a já precária situação de saúde na Síria. Quatro meses passados desde que a pandemia foi oficialmente declarada, a doença chegou a Idlib, com um primeiro caso confirmado a 9 de julho.

Os primeiros casos de COVID-19 registados no país ocorreram na comunidade médica e tal constituiu fonte de crescentes preocupações ao longo dos meses que se seguiram.

Abdul Majeed Al Qareh

Diala Ghassan

Hassan Kamal Al-Deen

Mesmo antes da pandemia, os recursos humanos eram muito limitados no setor da saúde, com os hospitais da região a terem de partilhar frequentemente os profissionais médicos de forma a conseguirem continuar a funcionar.

Assim, mesmo que só alguns profissionais médicos ficassem infetados pelo vírus e temporariamente sem poder trabalhar, tal tinha um enorme impacto no acesso a cuidados de saúde.

Entretanto, a crise económica continuou e a depreciação recorde da libra síria tornou-se uma realidade para as pessoas na Síria, traduzindo-se na incapacidade de dar resposta às necessidades mais essenciais como habitação, alimentação e cuidados de saúde.

Pessoas refugiadas em países vizinhos também sentiram o impacto da crise económica nesses países anfitriões, como o Líbano.

Ao fim de nove anos de guerra, o sistema de cuidados de saúde na Síria estava arruinado, com muito limitadas provisões, poucos profissionais médicos e estruturas de saúde frequentemente encerradas ou que já não funcionavam.

Março 2021

Uma década passada, o conflito na Síria não chegou ao fim e a população continua a sofrer. Os efeitos da guerra continuam a ter um impacto desastroso para os sírios em todo o mundo.

Atualmente, quase 12 milhões de sírios – metade da população de antes da guerra – estão deslocados dentro ou fora da Síria. Cerca de 5,6 milhões estão espalhados pelo mundo, a maioria na Turquia, Líbano, Jodânia, Iraque e Egito. E 6,2 milhões de pessoas estão deslocadas internamente – o maior número em todo o mundo –, na maioria a viver em condições muito precárias.

Um recorde de 12,4 milhões de sírios – praticamente 60% da população – encontra-se atualmente em situação de insegurança alimentar, de acordo com alarmantes novos dados sobre o país do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas. Na passagem de apenas pouco mais de um ano, mais 4,5 milhões de sírios ficaram em insegurança alimentar.

A crise económica, as perdas de emprego resultantes da COVID-19 e o disparar dos preços dos alimentos avolumaram ainda mais o sofrimento da população síria, sujeita a deslocações repetidas e a um enorme desgaste por uma década de conflito.

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Esquecidos é um projeto da SIC Notícias e da Médicos Sem Fronteiras que dá espaço aos que vivem situações de vulnerabilidade. Histórias de quem fica marcado por conflitos armados, catástrofes, migrações ou falta de acesso a cuidados de saúde. Testemunhos de quem é quase sempre silenciado. Muitas vezes esquecido.

  • Síria: um país destruído
    14:01

    Esquecidos

    Em 2011, os sírios saem à rua a exigir reformas democráticas. Em resposta, a violência policial e militar provoca centenas de mortos e milhares de feridos. Os sírios começam a fugir para outras partes do país ou para os países vizinhos. O conflito evolui para uma guerra. O número de mortos e feridos aumenta drasticamente. As imagens do vídeo podem chocar os mais sensíveis.