Saúde Mental

"Estive 11 meses em depressão. Tentei matar-me duas vezes". Os problemas de saúde mental de atletas

Augustas Cetkauskas / EyeEm

Doenças mentais no desporto são pouco faladas.

Há casos em todo o mundo de atletas que assumiram ter problemas de saúde mental. Em Portugal, um dos mais conhecidos é o do judoca Célio Dias. Também a nadadora Diana Durães, que está em Tóquio, revelou sofrer de distúrbios alimentares.

Nadadora Diana Durães

Os 1500 metros livres atiraram Diana Durães para fora dos Olímpicos. Os 16 minutos, 29 segundos e 15 centésimos deixaram a estreante portuguesa em 23.º lugar. Um dia depois da prova contou o que à partida poucos sabiam:

"Há mais de um ano que sofro de distúrbios alimentares e que se apoderaram de mim: a necessidade de ver calorias, pesar-me constantemente e a obsessão pelo treino".

Só agora tornou público, mas não teve medo em falar no tempo que considerou certo. O treinador e médico da nadadora já sabiam do que se estava a passar. Um dia depois da prova contou o que à partida poucos sabiam.

Judoca Célio Dias

Um dos casos mais conhecidos de atletas com problemas de saúde mental em Portugal é o do judoca Célio Dias. Um mau combate nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, levou ao primeiro surto psicótico.

"Estive 11 meses em depressão. Tentei matar-me duas vezes. Fiquei dois meses sem tomar banho. Não tinha forças para me levantar da cama", afirma.

Foi diagnosticado com esquizofrenia em 2018. 3 anos passaram e depois de muito acompanhamento a vida voltou à normalidade.

Desistência de Simone Biles levanta debate sobre a saúde mental

O alerta de Simone Bailes levantou uma onda em Tóquio. A norte-americana Simone Biles abandonou a prova de equipas de ginástica artística e da final do all-around em Tóquio por questões emocionais e levantou o debate sobre a saúde mental dos atletas de alta competição.

Apesar de pouco falados, os problemas de saúde mental nos atletas de alto rendimento vão-se tornando públicos. O recordista de medalhes olímpicas Michael Phelps foi dos casos mais mediáticos. A pressão, o stress e o pós-carreira atiraram-no para a depressão e fizeram-no cair na droga e no álcool.

Naomi Osaka é mais um exemplo. Durante o último Roland Garros, a tenista contou que vivia com depressão. Na prova, recusou participar nas conferências de imprensa para evitar picos de ansiedade. Acabou por desistir do torneio.

Veja também: