O que têm em comum as empresas que enfrentam dificuldades? Para Américo Pinheiro, o gestor que liderou marcas de luxo no grupo Louis Vuitton e atual CEO da empresa portuguesa de tapeçarias luxo Ferreira de Sá Rugs, são essencialmente duas coisas: “adaptam-se ao falhanço e tomam muitas decisões irracionais”. Sair deste círculo vicioso exige estratégia, coragem para tomar medidas mas, sobretudo, capacidade para chegar às pessoas. “A primeira coisa a fazer numa empresa em dificuldades é ganhar a mente das pessoas, mostrar-lhe que conseguem fazer muito mais e melhor”, diz.
Natural de Marco de Canaveses, distrito do Porto, Américo Pinheiro formou-se em Gestão e Administração de Empresas, na Universidade Católica. Começou a carreira no Grupo Jerónimo, passou pela L'Óreal, mas acabaria por construir uma carreira internacional que o levou ao topo do mercado de luxo no grupo Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH), depois de ter entrado na Guerlain Portugal, numa altura em que a empresa enfrentava desafios.
Nos 16 anos de carreira que dedicou ao grupo LVMH, Américo Pinheiro somou sucessivos cargos de liderança e gestão de equipas. Foi responsável pelas marcas Guerlain, Loewe e Acqua di Parma em Portugal, seguiu para Madrid onde ocupou o cargo de diretor-geral da Givenchy Parfums e, a partir de Paris, chegou a diretor das subsidiárias europeias e latino-americanas da LVMH. Em 2020, regressou a Portugal para liderar a Castelbel e desde o ano passado está ao leme da Ferreira de Sá Rugs.
Garante que no setor do luxo, "a proximidade na gestão é uma coisa muito importante. Os processos mais importantes numa companhia de luxo estão nas mãos de duas ou três pessoas". E explica que muitas vezes, o melhor papel que o líder pode ter é deixar a decisão nas mãos de quem faz a diferença no negócio: "quando lidamos com designers ou criativos, a lâmpada de Aladino está nas mãos deles, não nas nossas".
Ao longo do caminho que percorreu. Américo Pinheiro garante que conheceu “muitos líderes excecionais” e admite que “gostava de ser tão excecional quanto eles”. E embora reconheça que "liderar é um pouco como aprender a andar de bicicleta, não é rocket science", aponta que nenhuma empresa que não tenha obsessão pelo produto consegue ser uma empresa vencedora. "Estamos há 11 meses a trabalhar sobre um fio, a estudar um fio, a torcê-lo de diferentes formas. Uma empresa que não tenha obsessão pelo produto não tem razão de existir".
Da mesma forma, “qualquer empresa que pede às suas pessoas que se levantem para ir trabalhar e fazer algo excepcional, tem que estar preparada para o erro”, aponta, mas também “para aprender sempre”.
O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer. Ouça outros episódios: