O CEO é o limite

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“Trabalhamos melhor se nos respeitarmos. No Paquistão, por exemplo, durante o Ramadão chegava ao escritório e não comia o dia inteiro”

Na liderança também há áreas de especialidade. A de Paulo Carvalho, atual CEO da Cegid Portugal, será provavelmente a de integrar equipas diversas num projeto comum e prepará-las para vencer. A experiência que consolidou nas múltiplas fusões e aquisições que viveu na carreira deu-lhe o conhecimento necessário para perceber liderar não é sobre resultados, é sobre pessoas

Paulo Carvalho, recentemente nomeado para liderar a tecnológica Cegid Portugal, dá pouca importância a cargos. Garante que vê sempre as funções em que está, “não como um destino, mas como uma passagem”, com “muita noção de que tudo é efémero e tem um contexto”. Por isso, para o bem e para o mal, não se deixa "deslumbrar pelos grandes acontecimentos".

Foi assim ao longo de toda a carreira em todas as etapas e desafios que foi assumindo. E o currículo é extenso e de peso. O atual diretor-geral da Cegid começou a trabalhar ainda estudante. Deu aulas antes de liderar equipas, descobriu o mundo cedo pelo olhar curioso de um miúdo que passava horas agarrado a um atlas.

Nunca teve grandes planos de carreira, mas aproveitou oportunidades e soube decidir nos momentos certos. Porque, como sublinha, ainda que reconhecendo que há erros que preferimos não ter de pagar, “a rapidez de decisão é importante. Vale mais decidir rápido do que bem, mas tarde demais”. Isto porque, na vida como nos negócios, “a oportunidade, muitas vezes, tem um espaço curto de execução”.

Os desafios que foi assumindo levaram o gestor português da Ernst & Young à Compaq, dai à HP, mais tarde à SAP, cuja operação liderou em Portugal, assumindo depois a vice-presidência na região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA). Foi ainda diretor-geral da Slack (Salesforce) na região EMEA. Em todos estes cargos guiou-se por um instinto simples: crescer para fazer crescer os outros.

Paulo Carvalho, CEO da Cegid Portugal, durante a gravação do podcast "O CEO é o limite"
Nuno Fox
"Aprendi com a experiência a ouvir os outros, mas uma escuta ativa: a incorporar nas minhas decisões aquilo que me diziam", explica o gestor, acrescentando que o propósito e o impacto são os motor de tudo. “Os grandes exemplos que tive na minha carreira foram sempre líderes que procurar causar impacto e priorizaram decisões em função desse objetivo”, aponta Paulo Carvalho.
Ao longo do caminho, o gestor português liderou operações em vários países, viveu fusões difíceis, tomou decisões que lhe tiraram o sono e outras que lhe deram um propósito. Qual a sua regra de sobrevivência? "Procuro estar descomprometido a decidir, para o poder fazer bem, com coragem, empatia e impacto".
Depois de anos a conduzir equipas multiculturais e a influenciar negócios à escala global, decidiu voltar a Portugal. Não por conforto, mas por impacto. Cabe-lhe liderar a Cegid, depois do grupo francês ter adquirido no início deste ano a tecnológica portuguesa PHC Software, uma empresa com um legado de liderança e uma herança cultural que a colocaram ao longo de anos no top das melhores empresas para trabalhar no país.
Chega consciente do desafio e sem receios porque, como diz, "quando o legado é bom não tens de ter medo desse legado porque ele não te vai fazer sombra". E sublinha: "um CEO fundador é insubstituível. Não se espera de quem vem depois, a mesma coisa".
Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer. Ouça outros episódios:

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