O CEO é o limite

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“O setor dos seguros era muito pesado e masculino. Há 20 anos, se tinha de ir para a Alemanha, vestia-me com um fato de homem”

CEO da Allianz Portugal desde 2017, Teresa Brantuas, a convidada deste episódio do podcast “O CEO é o limite”, lidera num setor técnico que, no fim, se faz de pessoas. Chegou à empresa em 1993, nunca teve outro empregador e percorreu o caminho até ao topo. Será que um percurso como o seu continua a fazer sentido para as gerações mais jovens?

Durante mais de três décadas,Teresa Brantuas construiu uma carreira na mesma empresa. O que para muitos é visto hoje como exceção, ou mesmo um anacronismo, foi para a atual CEO da Allianz Portugal uma escolha deliberada, feita de convicções, desafios, aprendizagens e a sua dose de decisões difíceis. Começou em 1993 como atuária e chegou ao topo do grupo em Portugal em 2017, após uma passagem exigente por Espanha, para onde foi depois de uma decisão crítica no seu percurso de carreira: "Não estava de acordo com a estratégia. Disse o que pensava e sabia que tinha de sair [de Portugal]”, recorda. No caminho que percorreu, nunca deixou de se perguntar o mesmo que muitos jovens hoje perguntam: vale a pena ficar tanto tempo na mesma empresa?

A atual CEO da Allianz Portugal começou a carreira na empresa em 1993, como atuária, depois de uma licenciatura em Matemática e numa altura em que o setor atravessava uma profunda transformação técnica, regulatória e reputacional. "Há 30 anos quando comecei havia pessoas que tinham vergonha de dizer que trabalhavam numa companhia de seguros. Era um setor pouco sexy", aponta. O tempo e a história mudaram o contexto e Teresa construiu um caminho na empresa que a levou de Portugal a Espanha, a liderar em áreas como a Vida, Saúde e Bancassurance, integrando comités executivos. "Houve alturas em que o grupo me ofereceu oportunidades, noutras fui eu que me cheguei à frente. Disse que era capaz e pedi uma oportunidade", aponta.

Matilde Fieschi

Em 2017 regressou a Portugal para liderar, como CEO, a operação nacional da companhia. O caminho até ao topo não é só mar e céu azul. “Quando cheguei a CEO disseram-me: 'Agora tudo o que fizer vai ter uma leitura”, recorda, assumindo que “foi um choque”. Teresa aponta a fase em que assumiu a liderança da Allianz em Portugal como “os dois anos mais difíceis” da sua carreira: “quando subimos a CEO temos de tomar decisões sobre pessoas que conhecemos há muitos anos. Não é fácil”.

A CEO da Allianz Portugal fala sem filtros sobre o peso da responsabilidade, os dois primeiros anos “dificílimos” na função de CEO, o momento em que teve de discordar frontalmente da estratégia da companhia e a coragem de ir para fora sozinha, enquanto os filhos ficavam em Portugal. E fala também do difícil equilíbrio entre emoção e razão, numa líder que admite não gostar nada “de powerpoints, nem KPIs” e diz estar a tentar retirar isso das suas reuniões. "Aprendo muito mais quando estou a falar com as pessoas", aponta.

Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.

Se tem histórias de liderança inspiradora para partilhar connosco, um líder que marcou o seu percurso profissional, dúvidas de carreira ou temas que gostasse de ver tratados neste podcast, envie-nos um e-mail para oceoeolimite@expresso.impresa.pt. Queremos saber de si.

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