Como se mantém uma empresa com 200 anos de história relevante num mercado com profunda alteração do seu padrão que consumo, como o da joalharia? Podem existir várias receitas. A que Jorge Leitão, CEO da Leitão & Irmão Joalheiros da Coroa usou foi aliar a tradição à modernidade e nunca deixar de olhar para o futuro. “Pode parecer estranho, mas a Casa Leitão conseguiu chegar à provecta idade de 203 anos porque foi sempre moderna, conseguiu olhar para o futuro, ir buscar novos talentos e novas tendências”, explica.
Jorge Leitão é a sexta geração à frente de uma das marcas mais antigas da ourivesaria nacional. Fundada em 1822, no Porto, a Leitão & Irmão serviu reis, rainhas e gerações inteiras de portugueses. Hoje, é a partir do coração do Chiado, em Lisboa, que conquista o mundo e enfrenta os desafios comuns de qualquer empresa moderna. Como o de contratar profissionais qualificados.
Um bom joalheiro demora dez ou mais anos a formar e mesmo depois disso “é preciso praticar muito todos os dias”. O CEO da Leitão & Irmão reconhece que “as novas gerações são mais imediatistas e muitos jovens já não têm paciência para a profissão”, ainda que admita que ”o cenário parece estar a mudar". A empresa equilibra nas suas oficinas uma equipa de funcionários muito séniores e experientes, mas tem-se revelado atrativa para uma nova geração de profissionais, atraindo estagiários de vários pontos da Europa. Os mais recentes chegaram da Lituânia.
Jorge Leitão cresceu ligado à empresa da família, entre metais nobres, pedras preciosas e o som das oficinas. É da oficina que guarda a sua memória mais antiga na Leitão & Irmão: “tinha oito ou nove anos e um joalheiro que tínhamos, o Carlitos, pegou em mim e levou-me para as oficinas e mostrou-me como se espalmava uma moeda no laminador. As lojas são lindas, mas o sítio que me encanta é a oficina”.
A empresa nasceu na família, mas nem sempre esteve com a família. Quando o atual CEO tinha 19 anos, a empresa encerrou e foi Jorge Leitão quem, aos 21 anos, em conjunto com um primo, recuperou o negócio. “Refiz a empresa não sei bem como, era um miúdo de 21 anos com o curso de praia”, explica. Com um percurso como “patrão de mar alto”, Jorge Leitão tinha “atravessado o Atlântico à vela, num tempo sem GPS”. Mas nem por isso, a reconstrução do negócio da família foi um navegar à vista. “Marquei o rumo com a consciência de que o podia alterar em caso de mau tempo e dediquei-me a isto totalmente, como uma causa”, aponta.
O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer. Ouça outros episódios: