O CEO é o limite

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Luís Teles, CEO Standard Bank Angola: “Um líder não tem de ser tratado por doutor para ser respeitado, pode ser acessível e informal”

Mais de metade dos quase 30 anos de carreira que acumula no setor financeiro foram em funções internacionais. Trabalhou em Seul, Londres, Joanesburgo e está desde 2010 em Angola, onde lidera um banco, procurando balancear resultados com aquela que é uma das grandes missões de qualquer CEO naquele país: “quebrar o ciclo de pobreza”. Luís Teles, presidente executivo do Standard Bank Angola, é o convidado do último episódio da terceira temporada do podcast O CEO é o limite, numa conversa sobre os mitos da liderança, as incertezas e os medos de quem chega ao topo

Como qualquer carreira, a de CEO também tem mitos. O primeiro é, muito provavelmente, o de que o líder é a pessoa mais “iluminada” e que sabe sempre tudo. O segundo, o de que quem chega ao topo nunca se amedronta com os desafios. Luís Teles, o português que desde 2018 está ao leme do Standard Bank Angola, desconstrói ambos. Não só assume que “os CEO têm uma pressão enorme para parecer que sabem tudo e estão preparados para todas as situações, o que não é verdade e é preciso estar em paz com isso", como sublinha que “um CEO tem medo de muita coisa, desde logo de falhar e pôr em causa o futuro das pessoas que trabalham para si".

O atual presidente executivo do Standard Bank Angola não construiu a sua carreira a navegar entre zonas de conforto. Formado em Gestão pela Universidade Católica, com múltiplas formações em liderança, estratégia e inovação pelo MIT e pelo Insead, desenvolveu mais de metade dos seus quase 30 anos de carreira no setor financeiro fora de Portugal. Foi o próprio pai quem lhe impôs a primeira saída, proibindo-o de desistir de um estágio do Programa Contacto, na Coreia do Sul.

A partir dai, o mundo foi o palco da sua carreira. Trabalhou em Londres, Seul, Joanesburgo e Luanda, onde está desde 2010. Liderou equipas em geografias onde não tinha história, sotaque ou sequer rede de apoio. A experiência deu-lhe a humildade para perceber que “nunca sabemos tudo”.


Luís Teles, CEO do Standard Bank Angola, durante a gravação do podcast O CEO é o limite
José Fonseca Fernandes

Luís Teles foi somando vários desafios. Um deles conduziu-o à liderança interina de uma empresa. Cuidou do negócio, em acumulação de funções com a liderança da sua unidade de negócio, até que o novo CEO chegasse à função. Garante que aprendeu muito “sobretudo que não estava preparado para aquela função”. Recorda que foi para a função “de forma muito honesta, de mente aberta para aprender e dar o melhor”. Mas reconhece que a necessidade da empresa não lhe permitiu a preparação prévia necessária. “Não tinha ferramentas, não estudei, não fiz, a preparação que devia ter feito e que fiz, por exemplo, quando assumi a função atual”, recorda.

Talvez por isso assuma com a maior frontalidade que “há uma insegurança muito grande quando nos sentamos na cadeira do líder”. Luís Teles sublinha que, enquanto profissionais, "estamos habituados a questionar as decisões do CEO, achamos tudo óbvio, mas quando estamos no seu lugar ganhamos noção das nossas lacunas". E admite que há momentos de medo nas lideranças: "quando temos um problema pedimos ajuda ao colega de equipa. Mas se somos o CEO, ninguém vem resolver, essa é a nossa função. Isso assusta".


Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer. Ouça outros episódios:

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