O CEO é o limite

Podcast

“Adaptar-me ao Brasil foi difícil, numa reunião disseram: ‘Agora Inês é morta’. Achei que estavam a despedir-me, mas era só uma expressão”

Fez uma carreira ligada à banca, em Portugal e no Brasil. Mas ao longo do caminho percebeu que o verdadeiro impacto do que fazemos mede-se na oportunidades que geramos para os outros. Inês Rocha de Gouveia preside à Fundação Santander, onde se tem dedicado a alavancar o potencial do talento português através da formação e empregabilidade

Define-se como uma executiva de alto desempenho, com alma de artista. É apaixonada por pintura, viagens, mas, sobretudo, por pessoas. Inês Rocha de Gouveia, presidente da Fundação Santander, é uma pessoa de pessoas. Gosta de as ouvir, desafiar, desinquietar e de as ver crescer. Um dia, numa viagem ao Quénia, disseram-lhe que se fosse um animal, seria uma leoa. Revê-se: "sou uma identificadora de oportunidades, muito protetora dos meus e desafiadora. Quero muito que a minha equipa possa errar, testar, avançar", diz.

Formada em Gestão e Administração de Empresas, Inês Rocha de Gouveia começou a carreira em empresas multinacionais, na área do grande consumo. Passou ainda pelo setor das telecomunicações até entrar na banca, pela porta do BPI e, mais tarde, no Santander. Começou a gerir cartões e contas, mas acabaria a liderar equipas multiculturais e a impulsionar estratégias de transformação em áreas como o daily banking, pagamentos e banca de retalho.

Ao longo das mais de três décadas que já leva de carreira foi percebendo que o verdadeiro impacto não se mede em euros, nem em indicadores complexos. Mede-se nas oportunidades que abrimos aos outros.

Inês Rocha de Gouveia, presidente da Fundação Santander, durante a gravação do podcast "O CEO é o limite"
Nuno Fox

No Santander desde 2007, onde tem atuado em Portugal e no Brasil, tem focado o seu trabalho na estratégia de impacto social da instituição financeira, liderando projetos com propósito nos pilares da educação, empregabilidade e empreendedorismo, construindo pontes entre o setor financeiro, a academia e a sociedade.

Convicta de que “a educação é o pilar capaz de recuperar o elevador social”, defende que “quanto mais velhos formos, mais na crista da onda temos de estar”. A formação, diz, não tem idade e também não conhece lugares na hierarquia das empresas: “é para todos, sobretudo para os líderes. Ganha-se mais conhecendo mais”.

E em matéria de gestão e liderança, defende que há muito a mudar em Portugal, a começar pela cultura do erro. "É bom errar num ambiente seguro para voltar a começar. Em Portugal tem-se vergonha de errar, medo de errar, não se assume que se errou. E não assumir que se errou é não assumir que se tem que recomeçar, com força e com aprendizagem", nota.


Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer. Ouça outros episódios:

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