O CEO é o limite

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“Há quem viaje muito mas não tenha mundo e há quem nunca saiu da aldeia mas tenha um mundo imenso. Eu era curioso, passar a rua bastava”

Define-se como alguém “positivamente ingénuo” que vive a tentar fazer coisas acima das suas possibilidades. Foi dessa ânsia que nasceu a Maze Impact. António Miguel, fundador e CEO da organização de investimento focada na inovação social, quis mostrar que criar impacto social é mais doq ue filantropia. É, possivelmente, a maior oportunidade económica do nosso tempo

Crítica a “miopia” de quem acha que as coisas têm de ser imediatas. E dedica a carreira a desafiar este paradigma. Natural de Sintra, onde nasceu em 1986, António Miguel, fundou em plena crise de 2013 uma plataforma destinada a alavancar na economia nacional o investimento em impacto e inovação social, a Maze Impact, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
“Positivamente ingénuo”, António quis mostrar que é possível criar pontes sólidas entre capital, propósito e impacto. “Importo-me com os pontos de partida, porque nem todos temos o mesmo”, sublinha, acrescentando que “é muito difícil nivelarmos os pontos de partida para todos”. Essa é parte da missão da Maze que criou: "importa dotarmos as pessoas com as competências e ferramentas necessárias para fazerem que caminho quiserem. Alguns de terão de caminhar mais do que outros", diz, apontando a importância de que as oportunidades existam para ambos.
António Miguel, fundador e CEO da Maze Impact
Matilde Fieschi

O projeto que criou apoia startups, investidores e instituições públicas a adotar modelos de gestão centrados no impacto social e ambiental. Que, mais do que filantropia, “são uma oportunidade económica”. António trabalhou na área do investimento de impacto quando ainda pouco se falava disso.

Andou pelo México e pela Noruega, formou-se em Gestão, trabalhou em Londres e regressou a Portugal para liderar uma transformação nos padrões de gestão das empresas nacionais. "Há muito a miopia de que as coisas têm de ser imediatas. O microcrédito provou que emprestarmos dinheiro e termos de esperar um pouco mais até o reavermos, não quer dizer que ele não regresse. Temos é de pensar o tempo de forma diferente", aponta António Miguel.

A experiência internacional que António consolidou alargou-lhe os horizontes e fez dele uma das vozes mais consistentes sobre liderança ética, inovação social e o futuro das empresas com propósito. "Foi uma oportunidade de ficar menos deslumbrado", diz, sublinhando que "há pessoas que viajam muito e têm pouco mundo e há outras que, sem nunca terem saído da sua aldeia, têm um mundo imenso".

Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer. Ouça outros episódios:

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