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Marta Temido disse que não apoiaria nenhum candidato e anuncia agora voto em Seguro?

A declaração de (ausência de) interesses foi feita em novembro, dois meses antes das eleições presidenciais. Antiga ministra mudou de posição e anunciou agora o apoio à candidatura de António José Seguro? A SIC Verifica.

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A antiga ministra da Saúde Marta Temido afirmou publicamente, no início de novembro, que não apoiaria qualquer candidatura às eleições presidenciais.

“Neste momento não irei apoiar nenhum dos candidatos. É evidente que vou votar, é evidente que tenho um pensamento sobre os candidatos, mas publicamente não vou fazer o apoio a nenhuma das candidaturas”, afirmou, em entrevista à CNN Portugal.

A posição parecia apontar para uma neutralidade pública durante o processo eleitoral. No entanto, após a primeira volta das Presidenciais, Marta Temido publicou uma mensagem na página na rede social Facebook onde escreveu: “Na segunda volta das eleições presidenciais de 2026, todos os democratas têm o dever de ser claros no apoio a esta candidatura. Dia 8 de fevereiro votarei António José Seguro.”

Mudança individual em movimento mais amplo no PS

O reposicionamento de Marta Temido não é caso isolado. A campanha de António José Seguro tem sido marcada pela aproximação de figuras socialistas que, no passado, foram críticas do antigo secretário-geral ou estiveram politicamente afastadas da sua liderança.

Entre os exemplos mais evidentes está Augusto Santos Silva, que, no início do ano passado, considerava que Seguro não cumpria os “requisitos mínimos” para uma candidatura presidencial e defendia alternativas como António Vitorino.

"[António José Seguro] Não parece cumprir os requisitos mínimos de uma candidatura que possa ser apoiada pelo PS e um vasto campo de forças democráticas. (...) Precisamos de mais", afirmou o ex-presidente da Assembleia da República, numa entrevista à RTP em janeiro de 2025.

Já nesta reta final, anunciou ter votado antecipadamente em Seguro, justificando a escolha com a experiência política e institucional do candidato "que mais se aproxima dos requisitos mínimos".

Augusto Santos Silva
ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Também o ex-secretário-geral socialista Pedro Nuno Santos, crítico da liderança de Seguro no PS e figura central do “Costismo”, declarou recentemente apoio ao antigo líder socialista, sublinhando a capacidade do candidato para reunir apoios de setores inicialmente céticos.

Eduardo Ferro Rodrigues e Duarte Cordeiro - ambos adversários internos de Seguro no passado - também passaram a apoiá-lo, invocando, na altura, o risco de uma segunda volta sem um candidato identificado com a esquerda democrática.

A SIC Verifica que é...

A afirmação inicial de Marta Temido de que não faria qualquer apoio público a um candidato presidencial deixou de ser verdadeira com a declaração explícita de voto em António José Seguro na segunda volta. No entanto, esse anúncio da ex-governante surgiu no contexto da primeira volta, onde a dispersão de candidatos era maior. Um padrão que se verifica noutros atuais e antigos dirigentes do PS.