Coronavírus

"Segurança da vacina é o mais importante"

Eraldo Peres

Ministro da Saúde britânico e OMS consideram que suspensão dos ensaios clínicos da vacina Oxford/AstraZeneca foi sensata após reação adversa em voluntário.

Especial Coronavírus

Os ensaios clínicos do projeto de vacina para a Covid-19 entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca foram suspensos esta terça-feira, depois de uma reação adversa num voluntário.

A farmacêutica Astrazeneca diz que a suspensão dos testes da vacina para a covid-19 é temporária.

Em comunicado, explica que a paragem é uma ação de rotina que acontece sempre que é detetada uma doença inexplicada num dos ensaios.

O ministro da Saúde britânico Matt Hancock lamenta a decisão, mas considera que é a prova de que a segurança é o critério mais importante quando se fala numa vacina.

OMS refere que segurança é prioridade numa vacina

A segurança de uma vacina potencial para a Covid-19 vem "em primeiro lugar", disse a cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde Soumya Swaminathan.

"Só porque falamos sobre rapidez [no desenvolvimento da vacina] ... isso não significa que vamos comprometer [a segurança] ou fazer atalhos", disse Soumya Swaminathan num evento.

"O processo ainda tem que seguir as regras do jogo. Para medicamentos e vacinas que são dados às pessoas, é preciso testar a segurança, antes de mais nada”, garantiu.

Revés na vacina mais avançada

A farmacêutica AstraZeneca suspendeu os testes da fase final da vacina após uma suspeita de reação adversa séria num participante do estudo.

"Como parte dos testes globais controlados e aleatórios em andamento da vacina de Oxford contra o coronavírus, o nosso processo de revisão padrão desencadeou uma pausa na vacinação para permitir a revisão dos dados de segurança", indicou a companhia em comunicado.

A AstraZeneca frisou que se trata de "uma ação de rotina, que deve acontecer sempre que houver uma doença potencialmente inexplicada num dos ensaios, enquanto é investigada", de forma a garantir que é mantida "a integridade dos ensaios".

"Em testes de larga escala, as doenças acontecem por acaso, mas devem ser revistas de forma independente para que sejam verificadas com cuidado. Estamos a trabalhar para acelerar a revisão de um único evento para minimizar qualquer impacto potencial no cronograma do teste. Estamos comprometidos com a segurança de nossos participantes e os mais altos padrões de conduta nos nossos testes", concluiu o comunicado.

Dessa forma, os estudos em estágio final da vacina estão suspensos enquanto a empresa investiga se um relatório de um paciente com um efeito secundário sério está relacionado com o produto em desenvolvimento.

Um porta-voz da AstraZeneca confirmou que a pausa nas vacinações abrange os testes nos Estados Unidos da América (EUA) e em outros países.

30 mil voluntários nos EUA e Brasil

No mês passado, a AstraZeneca começou a recrutar 30.000 pessoas nos EUA para o seu maior estudo da vacina, que também está a ser testada em milhares de pessoas no Reino Unido, Brasil ou na África do Sul.

O Governo brasileiro já acertou um protocolo de intenções que prevê a disponibilização de 30 milhões de doses dessa vacina até ao final do ano e está a concluir as negociações para o pagamento e assinatura de um acordo final que incluirá também a transferência de tecnologia para produção nacional, que deverá ser conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A informação da suspensão da vacina surge no mesmo dia em que a AstraZeneca e oito outros fabricantes de medicamentos assinaram um compromisso, prometendo manter os mais altos padrões éticos e científicos no desenvolvimento das suas vacinas, e que não procurariam obter a aprovação governamental prematura para nenhuma vacina contra o novo coronavírus.

Amanda Perobelli

Infarmed diz que suspensão de testes é normal

O Infarmed diz que ainda não há provas de que a reação adversa num paciente, que levou ao cancelamento dos testes da vacina de Oxford, tenha tido origem na vacina.

Rui Santos Ivo, presidente do Infarmed, diz que a suspensão de testes é normal.

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 239 projetos e 8 estão na fase de ensaios clínicos - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

Apesar do agora suspenso ensaio clínico, o projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca é um dos mais promissores, a que se juntam os da Pfizer e da BioNTech, da Moderna e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Mais de 893 mil mortos e mais de 27,3 milhões de casos de Covid-19 no mundo

A América Latina e Caraíbas ultrapassaram na terça-feira as 300 mil mortes causadas pela covid-19, de acordo com uma contagem da agência de notícias France-Presse (AFP), com base em números oficiais.

O Brasil continua a ser o segundo país do mundo com mais mortos, atrás dos Estados Unidos, com 127.464 óbitos.

Contudo, o destaque vai para o Peru, que superou os 30 mil óbitos no mesmo dia e regista a maior taxa de mortes do mundo em relação ao número de habitantes, com 93,28 mortes por 100 mil habitantes, segundo um 'ranking' publicado pela universidade norte-americana Johns Hopkins.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 893.524 mortos e infetou mais de 27,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Portugal com 1.846 mortes e 60.895 casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta terça-feira a existência de 1.846 mortes e 60.895 casos de Covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de mortes subiu de 1.843 para 1.846, mais 3 do que na segunda-feira. Umas das vítimas mortais residia na região de Lisboa e Vale do Tejo e as outras duas na região Norte.

O número de infetados aumentou de 60.507 para 60.895, mais 388.

Em vigilância permanecem 34.466 contactos, mais 130 do que na segunda-feira.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

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