Coronavírus

Vários projetos pelo mundo avaliam eficácia da vacina contra a Covid-19 por inalação

Reed Saxon / Reuters

Têm como objetivo prevenir o desenvolvimento do vírus no nariz, o ponto a partir do qual se começa a espalhar para o resto do corpo e para outras pessoas.

Especial Coronavírus

As vacinas contra a Covid-19 mais avançadas estão a ser desenvolvidas para serem injetadas. Mas há outras investigações que estão a avaliar se será possível obter uma melhor proteção exatamente onde o vírus começa por atacar - no nariz e boca.

Uma alternativa às injeções convencionais, as imunizações pulverizadas e inaladas estão em desenvolvimento nos EUA, Grã-Bretanha e Hong Kong. Têm como objetivo prevenir o desenvolvimento do vírus no nariz, o ponto a partir do qual se começa a espalhar para o resto do corpo e para outras pessoas.

Os cientistas que desenvolvem vacinas inaladas têm em conta algumas das características específicas dos pulmões, nariz e garganta, que são revestidos por mucosa. Este tecido contém altos níveis de proteínas do sistema imunitário - chamadas IgA, imunoglobinas -, que oferecem melhor proteção contra vírus respiratórios.

Ao ativar estas "armas imunológicas" podem ser protegidas as áreas mais profundas dos pulmões onde o SARS-CoV-2 causa mais danos, acreditam os cientistas

Cientistas britânicos estudam eficácia de vacina inalada

Cientistas britânicos iniciaram um estudo com duas vacinas experimentais contra o vírus que provoca a covid-19, admitindo-se a hipótese que possam funcionar melhor quando inaladas por pessoas em vez de injetadas.

Os investigadores do Imperial Colege de Londres e da Universidade de Oxford revelaram que o ensaio, envolvendo 30 pessoas, vai testar vacinas desenvolvidas por ambas as instituições e em que os participantes inalam as gotas nas suas bocas, tendo como alvo direto os seus sistemas respiratórios.

Estudos científicos anteriores demonstraram que as vacinas administradas por inalação requerem doses menores do que as injetáveis, o que pode ajudar a rentabilizar os recursos limitados.

A vacina desenvolvida pelo Imperial College utiliza cadeias sintéticas de código genético baseado no vírus. Uma vez injetadas no músculo, as células do próprio corpo são instruídas a fazer cópias de uma "proteína espinhosa" no coronavírus.

Espera-se que, desta forma, acione uma resposta imunológica para que o corpo possa lutar contra qualquer futura infeção pelo SARS-CoV2.

Em comparação, a vacina da Universidade de Oxford usa um vírus inofensivo - um vírus da gripe que atinge o chimpanzé, projetado para não se espalhar - para transportar a "proteína de pico" do coronavírus para o corpo, o que deve desencadear uma resposta imunológica.

Spray nasal investigado na Austrália pode travar reprodução da Covid-19

Um spray nasal desenvolvido para reforçar o sistema imunológico contra a gripe e as constipações demonstrou, em provas pré-clínicas, que pode travar a reprodução viral de Covid-19, segundo a empresa biotecnológica australiana responsável pela investigação.

A empresa Ena Respitarory, que desenvolve o produto INNA-051 indicou em comunicado que as provas realizadas com furões, coordenadas pelo subdiretor do organismo da Saúde Pública de Inglaterra, Miles Carroll, revelaram uma eficácia de 96%.

A empresa australiana indicou também que o estudo, publicado no portal de investigação biomédica bioRxiv proporcionou provas de que a molécula sintética INNA-051 pode ser utilizada como método de terapia antiviral preventiva e complementar os programas de vacinação.

Além de auxiliar as pessoas mais vulneráveis, o spray, que se aplicaria uma ou duas vezes por semana também evita que as pessoas infetadas contagiem outras pessoas, disse Christophe Demaison, diretor da Ena Respiratory.

O responsável afirmou ainda que as provas clínicas da substância vão ser realizadas dentro dos próximos quatro meses.

A empresa indicou que conseguiu sete milhões de euros de investidores australianos para prosseguir a investigação enquanto espera a realização dos estudos de toxicidade e se obtenham as autorizações legais correspondentes.

China autoriza testes para vacina em spray

No início de setembro, a China autorizou o início de testes clínicos em humanos de uma possível vacina contra a covid-19 através de spray nasal.

Após receber luz verde da Administração Nacional de Produtos Médicos chinesa, esta potencial vacina começará a primeira fase de testes clínicos em novembro, com uma centena de voluntários, na cidade costeira de Dongtai, na província oriental de Jiangsu.

O projeto foi desenvolvido conjuntamente pelas universidades de Xiamen e Hong Kong e a empresa de biotecnologia de Pequim Wantai.

Peritos citados pela imprensa estatal asseguram que finalizar as três fases dos testes levaria pelo menos um ano, embora, se eficaz, a vacina possa oferecer uma "dupla imunidade" contra o coronavírus que provoca a covid-19 e a gripe.

A razão é que foram usados fragmentos da proteína que forma a "corona", que dá o nome ao agente infeccioso do SARS-CoV-2, em vírus atenuados da gripe sazonal comum.

Os promotores do projeto esperam que administrando a vacina em spray nasal se reproduza a via habitual de contágio dos vírus respiratórios e induza assim uma resposta imune, apesar de ainda se desconhecer se a proteção gerada durará mais ou menos do que se fosse injetada.

Os investigadores antecipam apenas efeitos secundários ligeiros, como congestão nasal, apesar de ser possível que provoque asma ou dificuldade em respirar.

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano ou mesmo no próximo ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 248 projetos e 49 estão na fase de ensaios clínicos, sendo que 10 estão na fase III - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

O projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca é um dos mais promissores, a que se juntam os da Pfizer e da BioNTech, da Moderna e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Plataforma global COVAX

O mecanismo COVAX é uma plataforma global para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, para um acesso equitativo às vacinas a preços acessíveis.

Participam vários países, instituições e organizações, como a União Europeia.

Mais de 1,074 milhões de mortos e 37,2 casos em todo o mundo

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e setenta e quatro mil mortos e mais de 37,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Portugal com 2.080 mortes e 86.664 casos de Covid-19

Portugal contabiliza este domingo mais 13 mortos relacionados com a covid-19 e 1.090 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 2.080 mortes e 86.664 casos de infeção, estando este domingo ativos 31.397 casos, mais 693 do que no sábado.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global