O CEO é o limite

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“Ganhava 900 euros por mês. Um dia a minha mulher teve de ir ao hospital e passámos o dia nas urgências. Decidimos ir para a Dinamarca”

Portugal forma talento de excelência, mas tem dificuldade em reter quem quer arriscar, inovar e liderar. Neste episódio especial do podcast O CEO é o limite, gravado ao vivo no Podfest 2026, recebemos Julieta Rueff, Mafalda Rebordão e André Rangel de Sousa, três líderes sub-30 portugueses que estão a dar cartas no panorama internacional. Falamos de liderança, de futuro e dos líderes que vamos precisar na Era da IA

Que líderes estamos a formar para o futuro? Onde está a nova geração de líderes portugueses? Porque é que tantos estão a construir impacto fora do país? E que líderes precisamos de formar para um mundo marcado por mudança tecnológica, competição global e novas expectativas das gerações mais jovens? Numa altura em que muitas organizações admitem falta de líderes preparados para assumir lugares de topo, em que as novas gerações parecem afastar-se progressivamente da ambição de liderar e em que milhares de portugueses qualificados constroem carreiras fora do país, a cadeira do líder neste episódio é ocupada por três líderes sub-30 que não estão apenas a pensar o futuro, estão a contruí-lo, fora de Portugal.

Mas, afinal, o que os levou para fora e como olham para o futuro em Portugal? Julieta Rueff, fundadora e CEO da FlamAid, está radicada em Barcelona e foi lá que criou a FlamAid, uma startup de impacto global que desenvolve e comercializa um dispositivo de segurança pessoal, uma “granada pacífica”, pensada para proteger e dar autonomia a quem se sente vulnerável na rua. O projeto levou a portuguesa à lista dos 30 líderes sub-30 de elevado potencial, da Forbes Europa e materializa a ideia de liderança com propósito, o foco no impacto social da gestão e o uso ético da tecnologia que Julieta defende como essencial para o futuro.

Julieta Rueff, Mafalda Rebordão e André Rangel de Sousa, durante a gravação do episódio especial do podcast O CEO é o limite no Podfest 2026
Matilde Fieschi

Se o poderia ter concretizado em Portugal? Sim, mas seria mais difícil e teria demorado muito mais tempo. “Em Espanha, uma ronda de investimento fecha-se mais rápido, em média seis meses, do que em Portugal”, explica a CEO, acrescentando que “quando se desenvolve hardware, como é o nosso caso, há sempre uma necessidade de investimento prévio potente. Teriamos demorado mais dois anos a chegar ao mercado se tivessemos de ir buscar angel investors portugueses”.

A burocracia e a aversão nacional ao risco também são apontados como um entrave à atratividade do país por André Rangel de Sousa, cofundador e CEO da Tryp.com, uma plataforma sedeada na Dinamarca, que utiliza inteligência artificial para simplificar e personalizar viagens no mundo inteiro.

Matilde Fieschi

Em poucos anos, a Tryp.com passou de uma ideia a empresa global com milhões de utilizadores, captou milhões de investimento. "Portugal tem uma coisa que contrasta muito com a Dinamarca: lá confia-se em quem quer fazer acontecer, cá há um clima de desconfiança: quem é esta pessoa? É difícil começar projetos cá". O gestor português, que entretanto criou em Portugal uma subsidiária da Tryp.com, recorda que quando quis trazer a empresa para dentro de portas precisou de "meses com uma advogada para ultrapassar a burocracia e até criar uma conta bancária foi uma dificuldade”.

Com uma visão distinta, Mafalda Rebordão, responsável de IA e Transformação Digital da Microsoft no escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, saiu de Portugal pela primeira vez com 19 anos, para estudar. O percurso que tem construído em multinacionais como a Google, leva-a a considerar que "Portugal é maravilho em muitas coisas, mesmo com um SNS que está na rua da amargura", mas, aponta, “tem um problema crónico de mobilidade social”.

A jovem economista reconhece que a dificuldade do país em ser atrativo para fixar e desenvolver talento internamente: "para quem nasce na base da pirâmide de rendimentos é muito difícil subir e crescer. Se não tivesse ido para fora não o teria conseguido fazer". E aponta que “o problema não é sair de Portugal, é a fricção que encontra quem quer voltar”.

Cátia Mateus podcast O CEO é o limite

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.

Se tem histórias de liderança inspiradora para partilhar connosco, um líder que marcou o seu percurso profissional, dúvidas de carreira ou temas que gostasse de ver tratados neste podcast, envie-nos um e-mail para oceoeolimite@expresso.impresa.pt. Queremos saber de si.

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