Coronavírus

AstraZeneca revela qual foi o efeito secundário da potencial vacina

Dado Ruvic / Reuters

Farmacêutica espera saber ainda antes do fim do ano se a vacina protege eficazmente contra a Covid-19.

Especial Coronavírus

A suspensão dos testes clínicos da vacina que está a ser desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em conjunto com a Universidade de Oxford foi motivada por uma inflamação na coluna de um dos voluntários, revelou hoje o diretor executivo da empresa britânica.

Em declarações à agência Reuters, Pascal Soriot afirmou ainda que até ao fim do ano será possível saber se a vacina em desenvolvimento é de facto eficaz contra a Covid-19 desde que os ensaios clínicos retomem brevemente.

Possível efeito secundário

A AstraZeneca suspendeu a última fase de testes no início desta semana depois de um dos voluntários ter sofrido um efeito adverso. O doente sofre de "sintomas associados a uma rara inflamação na medula espinal".

Soriot disse que este diagnóstico vai ser avaliado por um comité independente para apurar se a inflamação é de facto um efeito secundário da vacina.

Segundo o responsável, é muito comum a suspensão de testes durante o desenvolvimento de vacinas.

"É muito comum, na verdade, e muitos especialistas também o dirão (...) Páram, estudam, recomeçam", explicou.

OMS refere que segurança é prioridade numa vacina

A segurança de uma vacina potencial para a Covid-19 vem "em primeiro lugar", disse a cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde Soumya Swaminathan.

"Só porque falamos sobre rapidez [no desenvolvimento da vacina] ... isso não significa que vamos comprometer [a segurança] ou fazer atalhos", disse Soumya Swaminathan num evento.

"O processo ainda tem que seguir as regras do jogo. Para medicamentos e vacinas que são dados às pessoas, é preciso testar a segurança, antes de mais nada”, garantiu.

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano ou mesmo no próximo ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 239 projetos e 8 estão na fase de ensaios clínicos - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

Apesar do agora suspenso ensaio clínico, o projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca é um dos mais promissores, a que se juntam os da Pfizer e da BioNTech, da Moderna e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Portugal com mais 3 mortes e 646 novos casos de Covid-19, valor mais alto desde 20 de abril

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira a existência de 1849 mortes e 61.541 casos de Covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de mortes subiu de 1.846 para 1849, mais 3 do que na terça-feira - duas na região de Lisboa e Vale do Tejo e uma na região Norte.

O número de infetados aumentou de 60.895 para 61.541, mais 646 - o valor mais alto de novas infeções registado desde 20 de abril.

Em vigilância permanecem 35.151 contactos, mais 685 do que na terça-feira.

Pandemia já provocou mais de 900 mil mortes em todo o mundo

A pandemia provocada pelo novo coronavírus matou mais de 900.000 pessoas em todo o mundo, de acordo com um balanço da agência francesa AFP.

Desde o aparecimento dos primeiros casos na China, em dezembro, registou-se um total de 900.052 mortes em todo o mundo e 27.711.866 casos assinalados. A América Latina e as Caraíbas são as regiões mais afetadas, com 300.340 mortes, à frente da Europa (219.616).

Mais de metade das mortes por covid-19 no mundo foram registadas em quatro países: Estados Unidos (190.478), Brasil (127.464), Índia (73.890) e México (68.484).

Links úteis

Mapa com os casos a nível global