Coronavírus

Novidade sobre uso de máscara: protege tanto os outros como quem a usa

Armando Franca

Estudos mostram que máscaras reduzem o risco de transmissão do novo coronavírus em mais de 70% dos casos.

Especial Coronavírus

Afinal, se usarmos uma máscara de proteção na rua estamos não só a proteger quem nos rodeia, caso estejamos infetados com o novo coronavírus, mas também é eficaz para nos protegermos a nós próprios.

Esta é a nova orientação do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano, atualizando a diretiva anterior que dizia que o principal benefício do uso de máscara era evitar que pessoas infetadas transmitissem o vírus a outras pessoas.

As máscaras de pano funcionam como um "controlo de origem para bloquear o vírus exalado", bloqueando as partículas de vírus exaladas por quem as usa, e fazem uma "filtragem para proteção pessoal", bloqueando a entrada de gotículas infecciosas exaladas por outras pessoas, segundo a nova orientação do CDC que cita 45 estudos científicos.

Estudos mostram que máscaras reduzem o risco de transmissão em mais de 70% dos casos

Um dos estudos citados revelou que o uso mútuo de máscaras ajudou a prevenir que dois cabeleireiros infetados transmitissem o vírus a 67 clientes que foram entrevistados posteriormente. Outro acompanhou pessoas infetadas que passaram mais de 10 horas em voos sem infetar outros passageiros quando as máscaras foram usadas.

O CDC acrescenta que em várias ocasiões em que autoridades disseram às pessoas para usarem máscaras, o número de infeções e mortes caiu significativamente.

"A adoção de políticas universais de uso de máscara pode ajudar a evitar confinamentos, especialmente se combinada com outras intervenções não farmacêuticas, como distanciamento social, higiene das mãos e ventilação adequada", refere o CDC.

Máscara de pano ou cirúrgica?

Algumas máscaras de pano são quase tão boas quanto máscaras cirúrgicas para bloquear as gotículas que podem transportar o vírus, segundo o CDC. O polipropileno pode gerar uma carga estática que retém as partículas, enquanto a seda pode repelir as gotas húmidas e ser mais confortável.

"Múltiplas camadas de tecido com vários fios têm demonstrado maior eficácia em comparação com camadas únicas de tecido com menos fios", afirma o CDC.

"É uma via de dois sentidos", diz Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIH). "Você protege os outros, a máscara deles protege-o a si e a sua máscara também o protege".

Uso de máscara na rua é obrigatório em Portugal

O uso de máscara na rua é obrigatório em Portugal desde 28 de outubro, com exceções, e o não cumprimento desta imposição é punido com multas que vão até aos 500 euros.

Segundo a Lei promulgada pelo Presidente da República e publicada a 27 de outubro em Diário da República, a obrigatoriedade do uso de máscaras na rua, uma forma de combater a pandemia de Covid-19, terá a duração de 70 dias e abrange pessoas a partir dos 10 anos para "acesso, circulação ou permanência nos espaços e vias públicas sempre que o distanciamento físico recomendado pelas autoridades de saúde se mostre impraticável".

Biden apela aos norte-americanos que usem máscara para se protegerem

Mais de 1.28 mortos em mais de 52,1 milhões de casos de Covid-19 no mundo

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.285.160 mortos em mais de 52,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Portugal com 3.181 mortes e 198.011 casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou no boletim diário desta quinta-feira que há mais 78 mortes e 5839 novos casos de Covid-19 em Portugal, sendo este o segundo pior dia em número de mortes e novos casos no país.

No total, Portugal regista 3181 vítimas mortais e 198.011 infetados pelo novo coronavírus, desde o início da pandemia.

Nas últimas 24 horas estão menos 8 doentes internados nas Unidades de Cuidados Intensivos, totalizando 383. Em relação aos internamentos em enfermaria estão 2794 pessoas internadas, mais 9 do que na quarta-feira.

A DGS revela que estão ativos 81.141 casos de infeção, mais 2425 do que na quarta-feira. Foram dados como recuperadas mais 3336 pessoas, totalizando 113.689 desde o início da pandemia.

Avanços na vacina e tratamento contra a Covid-19

Na segunda semana de novembro várias boas notícias foram chegando sobre os avanços no desenvolvimento de uma vacina contra o SARS-CoV-2 bem como um tratamento novo.

► A farmacêutica norte-americana Pfizer anunciou na segunda-feira que a sua vacina contra a Covid-19 alcançou 90% de eficácia nos testes.

► Nesse mesmo dia 9 de novembro, o porta-voz do ministro da Saúde da Rússia veio assegurar que a vacina que está a ser desenvolvida no país - a Sputnik V - tem uma taxa de eficácia superior a 90% e no dia seguinte Putin garantiu que "todas as vacinas russas contra a Covid-19 são eficazes"

► Ainda nesse dia, o ensaio clínico da potencial vacina CoronaVac da chinesa Sinovac foi suspenso no Brasil devido a "efeito adverso grave.", embora a empresa chinesa reafirme a confiança no produto, indicando que o efeito secundário não está relacionado com a vacina. Os testes foram retomados no dia 11.

► Na quarta-feira, a vice-Presidente russa anunciou que os testes clínicos da segunda vacina russa contra a Covid-19, a EpiVacCorona que está a ser desenvolvida pelo Instituto Vector, vão começar a 15 de novembro,

► Ainda na segunda-feira, mas já terça em Portugal, a agência norte-americana do medicamento (FDA) deu uma autorização de utilização de emergência e temporária de um medicamento experimental para a Covid-19 fabricado pela Eli Lilly, mas apenas para doentes com sintomas ligeiros ou moderados e não para hospitalizados a necessitar de oxigénio.

O tratamento experimental com anticorpos sintéticos é o primeiro especificamente desenvolvido para o novo coronavírus.

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano ou mesmo no próximo ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 259 projetos e 54 estão na fase de ensaios clínicos, sendo que 10 estão na fase III - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

O projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca é um dos mais promissores, a que se juntam os da Pfizer e da BioNTech, da Moderna, dos laboratórios Sanofi e GSK, de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses, a CoronaVac do laboratório SinoVac.

Plataforma global COVAX

O mecanismo COVAX é uma plataforma global para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, para um acesso equitativo às vacinas a preços acessíveis.

Participam vários países, instituições e organizações, como a União Europeia.

No total, de acordo com os últimos dados oficiais em outubro, 184 países aderiram até agora ao mecanismo internacional de compra e distribuição de vacinas: 92 países de rendimentos baixos e médios que receberão as doses gratuitas e 92 países de " rendimento alto" que passarão pela Covax para se abastecerem, mas terão de pagar pelas doses do próprio bolso.

OMS avisa que é preciso desenvolver mais vacinas contra a Covid-19

Links úteis

Mapa com os casos a nível global